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Ilhas Marianas do Norte encerram entrada sem visto para conter turismo de parto

Ilhas Marianas do Norte encerram entradas sem visto a partir desta sexta-feira (30) para combater o turismo de parto de mães estrangeiras.

Redação•29 de out. de 2026, 12:33
Ilhas Marianas do Norte encerram entrada sem visto para conter turismo de parto
Imagem: site

Ilhas Marianas do Norte encerram entrada sem visto para conter turismo de parto

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As Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos, vão impedir a entrada de turistas sem visto a partir desta sexta-feira (30). O anúncio da medida foi feito pelo Departamento de Segurança Interna na mesma semana em que a China completa 11 anos do fim de sua política do filho único.

De acordo com o governo de Donald Trump, o objetivo da ação é combater o chamado "turismo de parto". Essa prática ocorre quando viajantes internacionais ingressam em um país nos estágios finais de gravidez com o intuito de garantir a nacionalidade do bebê por direito de nascença.

Os turistas que já se encontram nas Ilhas Marianas do Norte poderão permanecer até o término da estadia autorizada. Em contrapartida, aqueles que ainda não viajaram terão suas autorizações anuladas, sendo obrigados a recorrer ao processo tradicional para a obtenção de visto americano.

A mudança gerou reações divididas. Enquanto políticos favoráveis ao endurecimento das regras de imigração nos Estados Unidos apoiam a decisão, moradores de ilhas como Saipã manifestam preocupação. O local desenvolveu forte dependência econômica e laços históricos profundos com os visitantes chineses.

Histórico da ilha de Saipã

Com 52 mil habitantes e situada no Oceano Pacífico, Saipã possui uma trajetória marcada por sucessivas ocupações. Inicialmente habitada pelos nativos Taotaomonas, a ilha foi colonizada por espanhóis no século XVI e controlada por alemães entre 1899 e 1914. O território passou para o domínio japonês durante a Primeira Guerra Mundial e foi tomado pelos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

Sob controle norte-americano, a economia da ilha baseou-se inicialmente na pesca e no cultivo de açúcar, transformando-se posteriormente em um polo estratégico para fábricas têxteis voltadas à exportação para os EUA. Contudo, críticas às condições de trabalho e a competição com a indústria americana enfraqueceram o setor e provocaram uma crise econômica local.

Para diversificar as fontes de renda, o então presidente Barack Obama decidiu flexibilizar as regras de entrada em 2009. A medida permitiu que visitantes da China e da Rússia pudessem visitar praias, resorts e cassinos locais por até 15 dias sem a exigência de visto.

A política do filho único e o fluxo de mães chinesas

A flexibilização coincidiu com um período de rigoroso controle populacional na China continental. Entre 1979 e 2015, o governo chinês limitou a maior parte das famílias a um único descendente para conter o crescimento demográfico. A política previa multas, demissões de cargos públicos, esterilizações compulsórias e abortos forçados para quem desrespeitasse a regra, embora elites pudessem pagar multas e minorias ou moradores rurais com primogênitas do sexo feminino tivessem exceções. O fim da restrição foi anunciado em 29 de outubro de 2015 e entrou em vigor em janeiro de 2016.

Como Saipã tornou-se o único território dos EUA com entrada livre de visto para cidadãos chineses, e devido à garantia da cidadania automática por nascimento prevista pela Constituição americana, a ilha atraiu diversas mães chinesas. Dados governamentais apontam que apenas oito crianças de turistas chinesas nasceram na ilha em 2009, ao passo que, em 2016, o número de nascimentos de mães chinesas superou o de saipanesas.

A prática persistiu mesmo após o encerramento da política na China. Além de Saipã, outros destinos registraram grande procura por famílias em busca de mais descendentes, com destaque para Hong Kong, Los Angeles, Canadá, Austrália e países do sul da Ásia.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/ilha-paradisiaca-que-virou-refugio-secreto-de-maes-chinesas-para-driblar-a-lei-do-filho-unico-e-ter-bebes-americanos-esta-com-os-dias-contados/

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