As Ilhas Marianas do Norte, território dos Estados Unidos, vão impedir a entrada de turistas sem visto a partir desta sexta-feira (30). O anúncio da medida foi feito pelo Departamento de Segurança Interna na mesma semana em que a China completa 11 anos do fim de sua política do filho único.
De acordo com o governo de Donald Trump, o objetivo da ação é combater o chamado "turismo de parto". Essa prática ocorre quando viajantes internacionais ingressam em um país nos estágios finais de gravidez com o intuito de garantir a nacionalidade do bebê por direito de nascença.
Os turistas que já se encontram nas Ilhas Marianas do Norte poderão permanecer até o término da estadia autorizada. Em contrapartida, aqueles que ainda não viajaram terão suas autorizações anuladas, sendo obrigados a recorrer ao processo tradicional para a obtenção de visto americano.
A mudança gerou reações divididas. Enquanto políticos favoráveis ao endurecimento das regras de imigração nos Estados Unidos apoiam a decisão, moradores de ilhas como Saipã manifestam preocupação. O local desenvolveu forte dependência econômica e laços históricos profundos com os visitantes chineses.
Histórico da ilha de Saipã
Com 52 mil habitantes e situada no Oceano Pacífico, Saipã possui uma trajetória marcada por sucessivas ocupações. Inicialmente habitada pelos nativos Taotaomonas, a ilha foi colonizada por espanhóis no século XVI e controlada por alemães entre 1899 e 1914. O território passou para o domínio japonês durante a Primeira Guerra Mundial e foi tomado pelos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
Sob controle norte-americano, a economia da ilha baseou-se inicialmente na pesca e no cultivo de açúcar, transformando-se posteriormente em um polo estratégico para fábricas têxteis voltadas à exportação para os EUA. Contudo, críticas às condições de trabalho e a competição com a indústria americana enfraqueceram o setor e provocaram uma crise econômica local.
Para diversificar as fontes de renda, o então presidente Barack Obama decidiu flexibilizar as regras de entrada em 2009. A medida permitiu que visitantes da China e da Rússia pudessem visitar praias, resorts e cassinos locais por até 15 dias sem a exigência de visto.
A política do filho único e o fluxo de mães chinesas
A flexibilização coincidiu com um período de rigoroso controle populacional na China continental. Entre 1979 e 2015, o governo chinês limitou a maior parte das famílias a um único descendente para conter o crescimento demográfico. A política previa multas, demissões de cargos públicos, esterilizações compulsórias e abortos forçados para quem desrespeitasse a regra, embora elites pudessem pagar multas e minorias ou moradores rurais com primogênitas do sexo feminino tivessem exceções. O fim da restrição foi anunciado em 29 de outubro de 2015 e entrou em vigor em janeiro de 2016.
Como Saipã tornou-se o único território dos EUA com entrada livre de visto para cidadãos chineses, e devido à garantia da cidadania automática por nascimento prevista pela Constituição americana, a ilha atraiu diversas mães chinesas. Dados governamentais apontam que apenas oito crianças de turistas chinesas nasceram na ilha em 2009, ao passo que, em 2016, o número de nascimentos de mães chinesas superou o de saipanesas.
A prática persistiu mesmo após o encerramento da política na China. Além de Saipã, outros destinos registraram grande procura por famílias em busca de mais descendentes, com destaque para Hong Kong, Los Angeles, Canadá, Austrália e países do sul da Ásia.
