A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial decorreu de falhas estratégicas na campanha, segundo avaliação do cientista político Pedro Costa. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Livia Raick, o especialista destacou três motivos principais para a virada do petista, que venceu o pleito com uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos após terminar o primeiro turno atrás do adversário.
A escolha do candidato
Para Pedro Costa, a própria indicação de Flávio Bolsonaro para representar o bolsonarismo na disputa presidencial foi o primeiro erro crasso da campanha. O cientista político pontuou que, embora o antipetismo permaneça forte no país, o senador possuía vulnerabilidades exploradas pela campanha adversária.
Entre os pontos citados pelo especialista estão questionamentos sobre as relações políticas do senador no Rio de Janeiro, o que incluiu suspeitas ligadas a milícias. Na visão de Costa, a campanha do PT demorou a focar na desconstrução da imagem de Flávio, mas a estratégia funcionou.
Antecipação da vitória
O segundo erro apontado envolveu a conduta de Flávio e seus aliados após a vantagem obtida no primeiro turno. O especialista comparou a situação à chamada “síndrome da cadeira vazia”, demonstrando excesso de confiança antes do pleito decisivo.
Nesse período, segundo o cientista político, ocorreram discussões sobre a formação de um ministério para um eventual governo. Foram citados nomes como Daniela Marques para a Fazenda, Eduardo Bolsonaro para as Relações Relações Exteriores e Pablo Marçal para a pasta da Prosperidade. “A política, assim como o futebol, não aceita salto alto, despreza o salto alto”, declarou Costa.
Postura nos debates
O terceiro fator abordado pelo especialista foi o comportamento do senador nos debates promovidos pela Band e pela Globo. De acordo com a análise, Flávio adotou uma postura excessivamente agressiva no início, baseada no estilo de Donald Trump, em vez de adotar uma estratégia cautelosa para proteger sua vantagem.
O cientista político avaliou que tal conduta passou uma imagem de arrogância ao público. Posteriormente, no último confronto televisivo, o candidato tentou uma postura mais conciliadora e fez três pedidos de desculpas, incluindo um pelo uso da expressão “nove dedos” ao se referir a Lula. Para Costa, essa guinada prejudicou a consistência da imagem apresentada ao eleitorado.
