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Como marcas de tecnologia da China superaram gigantes ocidentais

Marcas de tecnologia da China superam rivais ocidentais com foco em inovação, cadeias integradas e custos menores, gerando debates sobre segurança e tarifas.

Redação•29 de out. de 2026, 09:30
Como marcas de tecnologia da China superaram gigantes ocidentais
Imagem: site

Como marcas de tecnologia da China superaram gigantes ocidentais

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A ascensão das marcas de tecnologia da China tem transformado o mercado global de eletrônicos e bens de consumo, superando empresas ocidentais que antes dominavam o setor. Um exemplo citado é a GoPro, que reinava absoluta no mercado de câmeras de ação em seu auge, em 2015, com cerca de 6,6 milhões de unidades vendidas e participação superior a 70%. Hoje, a pioneira americana luta pela sobrevivência após apostas malsucedidas e o avanço das concorrentes chinesas DJI e Insta360, que entraram no segmento em 2019 e 2021, respectivamente, e hoje respondem por mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis.

O fenômeno repete-se em diversos setores, como TVs inteligentes, aspiradores robóticos e veículos elétricos. Marcas chinesas como BYD e Xpeng venderam quase dois terços de todos os carros elétricos comercializados no ano passado, ultrapassando concorrentes estabelecidas como a Tesla. No mercado de aspiradores robóticos, as marcas chinesas dominam o cenário global, enquanto a pioneira americana iRobot enfrenta dificuldades.

Segundo Chris Pereira, empreendedor canadense e autor com mais de 20 anos de experiência na China, a época em que o selo "Made in China" era sinônimo apenas de produtos baratos ficou para trás. Embora o país continue fabricando itens acessíveis, a combinação com alta qualidade fez com que bem mais da metade dos novos produtos globais de tecnologia para o consumidor venha de fornecedores chineses.

Fatores de competitividade e o polo de Shenzhen

Especialistas apontam múltiplos fatores para a vantagem competitiva das empresas chinesas:

  • Intensa concorrência doméstica em cidades como Shenzhen, Hangzhou e Xangai.
  • Cadeias de suprimentos altamente integradas.
  • Cultura empresarial orientada para a ação e rápida inovação.
  • Automação industrial avançada e uso estratégico de inteligência artificial na manufatura.
  • Agilidade regulatória e mão de obra relativamente barata.

Joey Cheng, fundador da startup americana Prolo Ring, destaca que a cadeia de suprimentos de Shenzhen é quase inevitável para reduzir custos e desenvolver produtos rapidamente, permitindo colocar mercadorias no mercado com agilidade para evitar ser superado pela concorrência.

Desafios de segurança, privacidade e novas barreiras comerciais

Apesar da alta adesão dos consumidores, persistem preocupações ligadas à segurança de dados e influência estrangeira. Uma pesquisa recente indicou que mais de 90% dos europeus não confiam seus dados a empresas chinesas de tecnologia, enquanto cerca de 80% desconfiam das americanas. O nível mais elevado de desconfiança foi registrado entre os alemães. Além disso, leis de segurança nacional nos EUA e na China podem obrigar companhias a repassarem dados aos governos, e autoridades alemãs apontam supervisão limitada sobre transferências de servidores europeus.

Para combater o déficit de confiança — o chamado "prêmio de confiança" —, companhias como a BYD buscam estabelecer presença física no exterior, a exemplo de sua primeira fábrica europeia de carros de passeio na Hungria, prevista para ser inaugurada no fim deste ano. No entanto, marcas de tecnologia de consumo também enfrentam escrutínio por suspeitas de espionagem e riscos em dispositivos conectados.

Diante do domínio chinês, os Estados Unidos e outros países ocidentais vêm adotando barreiras. No fim de julho, o governo Trump proibiu a importação de robôs humanoides fabricados fora dos EUA. Representantes de empresas chinesas, como a fabricante de robôs Primebot, relatam que o setor sente os impactos dessas medidas, avaliando alternativas como parcerias locais ou a construção de fábricas em solo americano. Países europeus e a União Europeia também avaliam impor novas tarifas.

Chris Pereira prevê que as taxações devem acelerar duas tendências: a transferência de produção para outros países e a concentração em produtos premium para desafiar marcas ocidentais diretamente. Enquanto isso, companhias ocidentais buscam nichos geográficos, diferenciais próprios ou parcerias com empresas chinesas para manter a competitividade.

Fonte: https://g1.globo.com/inovacao/noticia/2026/10/21/de-produtos-baratos-a-lideres-de-tecnologia-como-a-china-passou-a-superar-gigantes-ocidentais.ghtml

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