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Economia

Compras agrícolas da China nos EUA caem ao menor nível em 7 anos

Compras agrícolas da China nos EUA, excluindo a soja, caem ao menor nível em sete anos, atingindo US$ 7,2 bilhões entre janeiro e setembro.

Redação•02 de nov. de 2026, 12:30
Compras agrícolas da China nos EUA caem ao menor nível em 7 anos
Imagem: site

Compras agrícolas da China nos EUA caem ao menor nível em 7 anos

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As aquisições chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, sem contabilizar a soja, registram o menor patamar em sete anos, mesmo diante do compromisso assumido por Pequim de importar ao menos US$ 17 bilhões anuais em mercadorias do setor americano. De acordo com dados oficiais, entre janeiro e setembro, a China adquiriu US$ 7,2 bilhões em outros itens agrícolas dos EUA, como milho e carnes, o resultado mais baixo para o período desde o ano de 2019.

A soja, por outro lado, faz parte de um acordo separado e o país asiático caminha para atingir a meta estipulada para o grão. No entanto, permanece incerto se Pequim está descumprindo o pacto referente aos demais produtos. A Casa Branca não esclareceu se o prazo de contagem teve início após o anúncio realizado em maio ou se começará apenas com a conclusão dos cortes de tarifas propostos pela China, medidas que ainda não foram concretizadas.

O ritmo desacelerado das transações comerciais gera incertezas sobre uma possível recuperação das importações no decorrer do ano e causa frustração entre agricultores americanos, que lidam com custos elevados de combustíveis. O tema ganhou relevância política nas vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira, com os democratas buscando atrair eleitores de zonas agrícolas tradicionalmente alinhadas ao Partido Republicano do presidente Donald Trump.

“Nossos produtores são patriotas, mas há muitos silos cheios de grãos e, certamente, uma vontade de ver esse comércio acontecer”, declarou Tim Lust, diretor-executivo da National Sorghum Producers. “A soja está sendo negociada, mas outras commodities não.”

O Departamento de Agricultura dos EUA repassou ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) os questionamentos sobre o cálculo da meta proporcional para 2026. O USTR, a Casa Branca e o Ministério do Comércio da China optaram por não comentar o assunto.

Demanda fraca e concorrência afetam exportações

Especialistas apontam que, mesmo com um eventual aumento nas aquisições, o cumprimento da meta é dificultado pela baixa demanda interna na China e pela concorrência de outros países fornecedores. Para alcançar o valor estipulado, analistas avaliam que o governo chinês provavelmente precisará acionar empresas estatais para elevar as importações.

No caso do milho, em 2021, o volume importado da China atingiu US$ 5,6 bilhões, correspondente a quase 20 milhões de toneladas. Recentemente, a corretora COFCO Futures, ligada a uma estatal chinesa, apontou que o milho americano carece de competitividade, em razão da ampla oferta interna, e projetou compras de cerca de 900 mil toneladas do produto dos EUA para a safra 2026/27.

O sorgo americano também perdeu espaço no mercado chinês. As exportações dos EUA, que alcançaram 6,5 milhões de toneladas e US$ 2,1 bilhões em 2021, enfrentam a concorrência do Brasil. O mercado chinês foi aberto ao Brasil em setembro de 2025, e o país sul-americano já enviou 1,7 milhão de toneladas de sorgo neste ano, com previsão de mais quase 1 milhão de toneladas, segundo Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex. Os EUA exportaram cerca de 3,7 milhões de toneladas até o fim de agosto.

As carnes dos EUA enfrentam cenários adversos semelhantes. A China dispõe de oferta elevada de carne suína e de frango, enquanto a carne bovina americana apresenta preços mais elevados devido à diminuição dos rebanhos no país. Além disso, barreiras regulatórias limitam o comércio de carne bovina.

Em maio, a China renovou licenças de exportação para mais de 400 frigoríficos americanos, mas metade da capacidade de abate de gado de corte dos EUA segue sem autorização para exportar, conforme dados da Federação de Exportação de Carnes dos EUA. Unidades frigoríficas foram bloqueadas após autoridades chinesas relatarem a detecção de resíduos de substâncias não aprovadas no país, de acordo com Joe Schuele, porta-voz da entidade.

Diante dessas barreiras, analistas reforçam que Pequim precisará recorrer a estatais para atingir a meta de US$ 17 bilhões, repetindo a estratégia adotada no setor de soja, sendo a decisão dependente de um direcionamento político.

“Muito disso parece depender de até que ponto a China recorrerá às empresas estatais para fazer essas compras”, avaliou Darin Friedrichs, cofundador da Sitonia Consulting. “É difícil chegar a US$ 17 bilhões em produtos que não sejam soja sem compras direcionadas e realizadas fora das condições normais de mercado.”

Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/11/02/compras-agricolas-china-eua.ghtml

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