A população do Oriente Médio vive um clima de ansiedade, confusão e cautela diante do persistente impasse militar e diplomático entre os Estados Unidos e o Irã. Enquanto Washington mantém pouca transparência e Teerã adota uma retórica belicista, moradores de países árabes do Golfo buscam pistas para se planejar diante de eventuais interrupções, como o fechamento de escolas ou alterações em viagens.
O contexto do conflito e o papel dos líderes
O conflito teve início em fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei. A guerra entrou em seu oitavo mês, sem avanços diplomáticos ou capacidade de romper o impasse militar. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem oscilado entre ameaças de novos ataques e abertura para a diplomacia, sem esclarecer seu objetivo final. No início do mês, Trump escreveu nas redes sociais que Washington não atacará o Irã antes das eleições de meio de mandato de terça-feira (3), mas deixou em aberto se as ações serão retomadas após o pleito.
No sábado (31), Trump conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre o Teerã, embora detalhes do diálogo não tenham sido divulgados. Netanyahu, que atuou em parceria com os EUA e defende novas ofensivas, continuará no cargo apesar de ter perdido sua maioria nas eleições recentes de Israel.
Repercussão regional e preparativos militares
Do lado iraniano, comandantes militares intensificaram declarações públicas sobre estoques de novas armas. Uma autoridade sênior de segurança em Teerã afirmou que o país tentará atingir infraestruturas na região além das instalações petrolíferas, incluindo áreas ligadas à inteligência artificial, e alertou para uma longa "guerra de surpresas" caso o conflito retorne. Além disso, o líder supremo Ali Khamenei ordenou uma resposta "sem limitações geográficas" a novas ameaças.
Na Arábia Saudita, onde eventos foram cancelados e escritórios adotaram o trabalho remoto, moradores temem que o retorno à guerra aumente a pressão sobre um país que já enfrenta conflito na fronteira sul. No Bahrein, o impacto psicológico da guerra ainda gera traumas e insônia entre os habitantes. Em Abu Dhabi, empresas petrolíferas americanas cancelaram a participação de executivos em uma conferência do setor, citando segurança, embora o evento deva ocorrer com forte presença dos EUA.
Diplomacia e negociações em andamento
Apesar da apreensão, há intensa atividade diplomática. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, enviou uma carta à principal autoridade de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, sobre um pedido iraniano de suprimentos médicos. Autoridades iranianas também participam de negociações no Catar, que atua na mediação.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em coletiva de imprensa em Atlanta que, se existir uma solução diplomática, o país estará aberto a ela, embora tenha ressaltado que qualquer acordo não pode comprometer a segurança nacional nem ignorar preocupações sobre o programa nuclear iraniano. Por sua vez, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o Irã está aberto à diplomacia, mas que a estratégia de "cenoura e porrete" não funciona e que só haverá avanços com um acordo sobre as sete condições estabelecidas pelo país.
