Para Marcelo Kayath, ex-diretor do banco de investimentos Credit Suisse e nome cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cortes de despesas nas contas públicas não são suficientes para solucionar de forma definitiva o problema fiscal do país.
Em entrevista ao canal de notícias CNN na noite de quarta-feira, 7, Kayath avaliou que o chamado “tesouraço” prometido pelo senador — favorito para o segundo turno da eleição presidencial — serve como uma medida temporária. Segundo ele, o corte representa apenas uma “parada para arrumação” com o objetivo de ajustar as contas e permitir que o Banco Central reduza os juros.
Economistas apontam de forma quase consensual que as altas taxas de juros no Brasil decorrem do desequilíbrio fiscal. O texto destaca que, durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Flávio Bolsonaro no segundo turno, a dívida pública subiu de 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB). A gestão petista injetou recursos na economia para estimular o consumo, mas a falta de incentivos para empresas elevarem a produtividade gerou pressão inflacionária. Paralelamente, o aumento da dívida elevou a percepção de risco dos investidores, exigindo prêmios maiores para financiar a máquina federal e forçando o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares elevados, o que encareceu o capital e travou novos investimentos.
Diante desse cenário, Kayath defende que a contenção de gastos funciona apenas como a etapa inicial da reorganização econômica. “Só cortar, cortar e cortar não vai resolver o problema”, afirmou, acrescentando que o alívio na pressão sobre o Banco Central viabilizará a queda dos juros e encorajará os investimentos produtivos. Na visão do ex-banqueiro, uma solução permanente para o quadro fiscal virá quando o país registrar crescimentos anuais de 3% ou 4%.
Considerado um nome bem recebido pelo mercado financeiro para integrar uma eventual gestão bolsonarista, Kayath reconheceu que focar apenas em cortes gera desgaste, mas argumenta que a medida trará prosperidade futura por meio de expansão econômica, geração de empregos e renda.
O financista evitou entrar em detalhes sobre o plano econômico completo de Flávio Bolsonaro. À CNN, ele declarou que a eventual apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de Transição voltada a ajustes fiscais dependerá do cenário político e de entendimentos entre emissários do candidato e parlamentares no final de seus mandatos, ressaltando a atuação de Rogério Marinho na coordenação da articulação política da campanha.
