Investigações e monitoramentos recentes apontam que criminosos estão utilizando o TikTok como ferramenta de divulgação para comercializar conteúdos de abuso sexual infantil. O esquema funciona por meio de comentários em publicações da rede social, onde são inseridos códigos específicos com o objetivo de burlar os sistemas de fiscalização e atrair usuários interessados para o aplicativo Telegram.
No Telegram, o material ilícito é vendido em pacotes que contêm fotografias e vídeos. As negociações e as transações financeiras ocorrem de diferentes maneiras, incluindo o uso de robôs de atendimento automatizados (bots), conversas diretas e privadas com os suspeitos, além da utilização de "miniapps" — ferramentas de programação em JavaScript integradas ao próprio Telegram que funcionam como páginas internas de navegação.
Formas de pagamento e valores
Os preços cobrados pelos criminosos costumam ser baixos devido à alta concorrência entre diversos vendedores que oferecem materiais semelhantes. Os pagamentos são realizados por meio de criptomoedas, como bitcoin e ether, ou por transferências via PIX, com valores iniciais de R$ 10. Antes de fechar a venda, os criminosos frequentemente enviam amostras e prévias gratuitas — muitas vezes por meio de vídeos autodestrutivos — para assegurar a confiança dos compradores.
Especialistas e investigadores da Polícia Federal apontam que, embora criminosos utilizem contas de terceiros ou de conhecidos para receber os valores e acreditem na impunidade, o uso do PIX deixa rastros financeiros que auxiliam nas apurações e podem levar à identificação dos envolvidos, além do risco de bloqueio pelas instituições bancárias em casos de transações atípicas.
Estratégias de divulgação e legislação
As postagens utilizadas como porta de entrada no TikTok variam desde vídeos simples até conteúdos gerados por inteligência artificial, contando com seções de comentários repletas de códigos e links. Organizações como a SaferNet Brasil e o Instituto Alana alertam sobre o crescimento expressivo desse tipo de crime no país e reforçam que a legislação brasileira pune toda a cadeia envolvida, desde a produção e comercialização até a aquisição e o acesso a esses materiais.
Sancionadas recentemente, as novas regras previstas em lei estabelecem penas mais rigorosas de reclusão para crimes de violência sexual contra menores de idade. Em resposta às demandas de monitoramento, empresas como TikTok, Telegram e Meta afirmam empregar tecnologias avançadas de moderação e remoção de conteúdos inadequados de suas plataformas.
