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Custo fiscal do reajuste do Bolsa Família não era previsto, aponta especialista

Reajuste do Bolsa Família eleva piso e valor médio do benefício, mas gera alertas de pesquisador sobre impacto fiscal não previsto e riscos para a economia.

Redação•21 de set. de 2026, 03:12
Custo fiscal do reajuste do Bolsa Família não era previsto, aponta especialista
Imagem: site

Custo fiscal do reajuste do Bolsa Família não era previsto, aponta especialista

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O recente anúncio de reajuste do Bolsa Família, formalizado em uma cerimônia no Palácio do Planalto, provocou debates entre especialistas devido ao impacto financeiro não previsto no orçamento. A medida elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777.

De acordo com Victor Hugo Miro, pesquisador do FGV-Ibre, todas as decisões ligadas a programas de transferência de renda envolvem custos e benefícios. Simulações apontam que o incremento nos recursos transferidos tende a diminuir a pobreza e a desigualdade social. Contudo, o especialista ressaltou que esse custo fiscal não estava previsto e pode comprometer as contas do próximo ano.

Miro destacou que o governo já enfrenta questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal, tornando o reajuste um elemento adicional de incerteza. Com um impacto estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 23 bilhões anuais, o pesquisador afirmou que a situação atual apresenta projeções alarmantes sobre a dívida pública, cujo crescimento ganhou velocidade nos últimos anos.

Para acomodar o novo gasto, o governo precisaria elevar a arrecadação ou cortar recursos de outras áreas, impondo um custo adicional à sociedade. O pesquisador também criticou a falta de previsibilidade, apontando que alterações desse tipo deveriam ocorrer por meio de lei, com mecanismos claros de reajuste anual atrelados à inflação. Ele pontuou ainda que o orçamento de 2027 não continha nenhuma previsão para o aumento.

Timing eleitoral e impacto na política monetária

Outro aspecto apontado foi o momento do anúncio, realizado a menos de um mês das eleições. Segundo Miro, a estratégia remete ao ocorrido em 2022, quando a ampliação de um programa de transferência de renda ocorreu também em período eleitoral. O pesquisador reconheceu que o timing gera suspeitas, embora tenha evitado julgamentos sobre as intenções governamentais.

No tocante à política monetária, o reajuste pode afetar a trajetória de redução dos juros no país. O especialista avaliou que a questão fiscal é o principal fator que tem freado cortes mais rápidos na taxa de juros, e o novo gasto pode tornar esse ritmo mais lento ou até eliminar a trajetória já iniciada, prejudicando a atividade econômica, os investimentos e o crescimento do Brasil.

Endividamento das famílias e uso de recursos

Sobre pressões inflacionárias, Miro considerou que os reflexos nos preços talvez não sejam expressivos, mas chamou atenção para a necessidade de monitoramento no uso dos recursos transferidos. O pesquisador apontou que há famílias beneficiadas pelo Bolsa Família que sofrem com o endividamento, defendendo o estabelecimento de contrapartidas e mecanismos de avaliação para garantir que as transferências se convertam em bem-estar.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/custo-fiscal-do-reajuste-do-bolsa-familia-nao-era-previsto-diz-pesquisador/

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