NewsHub
Economia

CVM investiga se operações da Marfrig em 2018 tentaram influenciar Ibovespa

CVM analisa se a MMS Participações e controladores da Marfrig realizaram operações artificiais em 2018 para manter a empresa no índice Ibovespa.

Redação•27 de ago. de 2026, 19:33
CVM investiga se operações da Marfrig em 2018 tentaram influenciar Ibovespa
Imagem: site

CVM investiga se operações da Marfrig em 2018 tentaram influenciar Ibovespa

Ouça esta matéria em voz alta

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está analisando um processo administrativo sancionador que investiga se operações com ações da Marfrig Global Foods (MRFG3) em 2018 criaram condições artificiais de oferta, demanda ou preço. A suspeita é que as manobras visavam manter a empresa na carteira do Ibovespa. O caso envolve a MMS Participações Ltda., seu controlador Marcos Antonio Molina dos Santos, e Tang David, então diretor da Marfrig. Segundo a acusação, entre março e agosto de 2018, a MMS realizou rolagens antecipadas de contratos a termo de ações, reduzindo significativamente os prazos das operações.

Contexto do Mercado e Impactos

Enquanto o processo avança, outros temas movimentam o cenário econômico: a Motorola avalia o impacto da carga tributária no Brasil, a queda em ações atrai entrada em fundos globais pela terceira semana consecutiva e a Inteligência Artificial impulsiona ativos em países asiáticos. No caso da Marfrig, a CVM aponta que a estratégia teria sido usada para inflar artificialmente o Índice de Negociabilidade (IN) das ações e evitar a exclusão do principal índice da B3.

Dados do processo mostram que, entre janeiro e julho de 2017, a MMS mantinha posições com rolagens médias de 288 a 300 dias. Contudo, no período crítico de rebalanceamento do Ibovespa em 2018, esse prazo caiu para cerca de 40 dias, com contratos chegando a apenas 16 dias. O volume total girado atingiu 79,5 milhões de ações MRFG3. A área técnica estima que o excesso de demanda e oferta artificial somou R$ 425,15 milhões, equivalente a 59,01 milhões de papéis ao preço médio de R$ 7,2045.

Evidências e Gravações Telefônicas

A acusação destaca que a MMS aceitou perdas financeiras ao liquidar contratos longos para abrir novos com prazos menores, o que indicaria ausência de racionalidade econômica. Gravações obtidas junto à BSM e corretoras como Bradesco, Fator e Santander reforçam a tese. Em diálogos, Tang David teria solicitado operações 'fora de casa' (com outras corretoras) para aumentar o IN. Em abril de 2018, Tang mencionou que a Marfrig estava perto do corte para sair do Ibovespa e que, após conversar com Molina, decidiu rolar 10 milhões de ações para melhorar o índice.

A investigação aponta uma divisão de tarefas: Tang negociava taxas e buscava contrapartes, enquanto Molina autorizava as ordens. Após o rebalanceamento do índice, em setembro de 2018, a MMS voltou a operar com prazos próximos a 300 dias.

Argumentos da Defesa e Status do Processo

Marcos Molina e a MMS negam irregularidades, afirmando que as rolagens visavam liberar caixa e se adequar a novas regras de limites de concentração da B3. A defesa argumenta que operações 'fora de casa' não influenciam o cálculo do IN e cita uma investigação arquivada pela BSM. Alegam ainda que a liquidez da época resultou da aquisição da National Beef, e não das rolagens. Tang David afirma que apenas auxiliava Molina em negociações pontuais de taxas de juros, sem poder decisório ou intenção de influenciar o Ibovespa.

O relator João Accioly assumiu o caso em abril de 2024. A pauta foi publicada em 30 de julho de 2026 e o relatório assinado em 25 de agosto de 2026. Em paralelo, a pecuária brasileira segue em transformação com produções e exportações recordes.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/cvm-apura-se-operacoes-da-marfrig-em-2018-tentaram-influenciar-ibovespa/

Compartilhar