O candidato ao Senado pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo-PR) classificou como uma "injustiça" e um momento "esquizofrênico" do país a decisão que manteve o seu registro de candidatura deferido, mas o proibiu de realizar atos de campanha. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, o político afirmou não compreender o motivo de ter seu nome nas urnas e, ao mesmo tempo, estar impedido de pedir votos, mobilizar equipes, impulsionar conteúdos, distribuir materiais ou participar de atividades de campanha.
O impasse envolve decisões divergentes entre o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que manteve a candidatura, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que impôs a proibição. A controvérsia está ligada à situação que resultou na perda de seu mandato de deputado federal em 2023. Para Deltan, a medida gera um tratamento desigual e pode afetar o direito de escolha dos eleitores paranaenses por causa de uma decisão tomada em Brasília.
O candidato declarou que sua defesa avalia a situação como uma "interpretação criativa da lei" e afirmou que, quando se trata de agentes da Operação Lava Jato, as decisões parecem seguir uma presunção de culpa.
Impacto nas pesquisas e contestação ao TSE
Questionado sobre o efeito da proibição nas intenções de voto, Deltan relatou que esperava uma queda, mas observou um leve crescimento nas pesquisas. Segundo ele, o movimento ocorreu devido à atuação espontânea e voluntária de apoiadores nas redes sociais, que passaram a pedir votos por conta própria diante do que consideram um "disparate" e um "duplo padrão".
Deltan também contestou os argumentos do ministro Floriano de Azevedo, do TSE, sobre o risco de utilização de recursos públicos em uma candidatura que pudesse ser cassada posteriormente. O candidato argumentou que a decisão foi tomada sem uma nova análise aprofundada de seu registro e sem direito a defesa prévia. Ele pontuou que o cenário atual difere do de 2023 porque as reclamações disciplinares centrais foram arquivadas e que a legislação eleitoral permite que candidatos façam campanha enquanto os registros estão em discussão.
Por fim, ao comparar seu caso ao de políticos investigados ou condenados no âmbito da Lava Jato que puderam disputar eleições, Deltan afirmou que o episódio reforça uma crise de confiança nas decisões judiciais, as quais, segundo sua avaliação, muitas vezes seriam guiadas por interesses pessoais.
