O Partido Democrata deve conquistar o controle do Senado e da Câmara dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 2026, alcançando uma vitória histórica segundo projeções da CNN. A legenda capitalizou a impopularidade do presidente Donald Trump para assegurar poder de contenção sobre a administração federal nos dois anos finais de mandato do republicano. Para alcançar a maioria, os democratas avançaram em redutos republicanos, vencendo disputas em locais que não elegiam representantes do partido há décadas.
As projeções apontam conquistas expressivas em estados como a Carolina do Sul — onde Trump venceu por 18 pontos percentuais em 2024 —, o Texas, que não elegia um senador democrata desde 1988, e o Kansas, sem vitórias democratas para o Senado desde 1932. Apenas duas vezes nos últimos cinquenta anos o controle de ambas as casas legislativas mudou no mesmo ciclo eleitoral. Fatores como a inflação, tarifas impostas por Trump, a guerra no Irã e preocupações com a conduta do presidente impulsionaram os resultados, com pesquisas indicando que mais de seis em cada dez eleitores desaprovam o mandatário e dois terços consideram que suas políticas deterioraram a economia.
Resultados de destaque nas eleições senatoriais
No Texas, o deputado estadual James Talarico, de 37 anos, deve vencer a disputa contra o procurador-geral Ken Paxton, tornando-se o primeiro democrata eleito ao Senado pelo estado em 38 anos e o primeiro em uma disputa estadual desde 1994. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper derrotou o republicano Michael Whatley, tornando-se o primeiro democrata ao Senado pelo estado desde 2008. Na Carolina do Sul, a pediatra e candidata democrata Annie Andrews venceu a senadora republicana Darline Graham, quebrando um jejum de quase três décadas do partido no estado.
Outras disputas confirmaram reeleições e vitórias em diferentes estados:
- Colorado: O senador democrata John Hickenlooper conquistou um segundo mandato ao derrotar o estadual republicano Mark Baisley.
- Flórida: A senadora republicana Ashley Moody venceu a disputa contra a representante estadual democrata Angie Nixon.
- Geórgia: O senador democrata Jon Ossoff foi reeleito frente ao republicano Mike Collins.
- Massachusetts: O senador democrata Ed Markey garantiu um terceiro mandato ao vencer o republicano John Deaton.
- Minnesota: A vice-governadora democrata Peggy Flanagan assegurou a vaga aberta ao vencer a republicana Michele Tafoya.
- Delaware: O senador democrata Chris Coons conquistou o quarto mandato ao derrotar Michael Katz.
- Nova Jersey: O senador democrata Cory Booker venceu o republicano Justin Murphy para um terceiro mandato completo.
- Illinois: A vice-governadora Juliana Stratton garantiu a vaga aberta no Senado ao derrotar Don Tracy.
- Rhode Island: O senador democrata Jack Reed obteve seu sexto mandato ao vencer Raymond McKay.
- Virgínia: O senador democrata Mark Warner derrotou Bert Mizusawa, assegurando um quarto mandato.
- Virgínia Ocidental: A republicana Shelley Moore Capito conquistou o terceiro mandato ao vencer Rachel Fetty Anderson.
- New Hampshire: O deputado democrata Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John E. Sununu para ocupar a vaga em aberto.
- Oklahoma: O deputado republicano Kevin Hern venceu a disputa para garantir um aliado a Trump no Senado.
- Kentucky: O republicano Andy Barr garantiu a vaga ao suceder Mitch McConnell, derrotando o democrata Charles Booker.
- Wyoming: A deputada republicana Harriet Hageman venceu o democrata James Byrd, sucedendo a senadora Cynthia Lummis.
- Novo México: O senador democrata Ben Ray Luján foi reeleito ao derrotar o republicano Larry Marker.
O tamanho exato das maiorias democratas ainda depende da contabilização final dos votos. Embora o controle legislativo dê aos democratas prerrogativas de investigação e o poder de barrar indicações judiciais de Trump — incluindo eventuais vagas na Suprema Corte —, o veto presidencial e a exigência de 60 votos para aprovar a maior parte da legislação no Senado mantêm barreiras para a aprovação de agendas prioritárias.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/midterms-senado-eua/
