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Derrota de Trump nas eleições de meio de mandato o torna mais perigoso, alerta historiador

Derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato e conquista do Congresso pelos democratas deixam o presidente mais perigoso, avalia historiador Allan Lichtman.

Redação•04 de nov. de 2026, 20:30
Derrota de Trump nas eleições de meio de mandato o torna mais perigoso, alerta historiador
Imagem: site

Derrota de Trump nas eleições de meio de mandato o torna mais perigoso, alerta historiador

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As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos resultaram em uma dura derrota para o presidente Donald Trump e modificaram o panorama político em Washington. Com os democratas assumindo o controle de ambas as casas do Congresso, o governo perde a maioria republicana na agenda legislativa e passa a lidar com uma oposição fortalecida por prerrogativas amplas de fiscalização e investigação. O resultado também impacta as ambições do Partido Republicano para o pleito presidencial de 2028, especialmente em relação ao vice-presidente J. D. Vance, figura fortemente ligada ao trumpismo.

Apesar do revés, a vitória democrata não impede Donald Trump de governar. O presidente mantém ferramentas cruciais para tocar sua gestão, incluindo a emissão de decretos e ordens executivas. Para o historiador Allan Lichtman, PhD por Harvard, docente da American University e reconhecido por acertar previsões eleitorais, o principal perigo atual reside na possibilidade de que, antevendo a perda potencial da Casa Branca em dois anos, Trump opte por acelerar investidas de caráter autoritário.

Em entrevista concedida à VEJA, o especialista avaliou o significado das urnas, os obstáculos enfrentados pelos opositores e os reflexos para 2028. Lichtman afirmou que já havia antecipado a onda azul que garantiu aos democratas o comando das duas casas legislativas. Segundo ele, o patamar reduzido de aprovação presidencial costuma custar cerca de 40 cadeiras na Câmara e seis no Senado para o partido governista nas midterms, padrão alinhado ao observado no pleito.

O historiador apontou quatro grandes problemas enfrentados por Trump: a guerra não declarada e sem autorização no Irã — descrita por ele como o conflito mais impopular da história dos Estados Unidos —, a situação econômica e inflacionária sentida pela população, as ameaças à democracia e a percepção pública de corrupção. Lichtman destacou que a defesa da democracia despontou entre as principais preocupações dos eleitores, enquanto dois terços dos americanos acreditam que o presidente utilizou o poder de forma nefasta para o enriquecimento pessoal e familiar, situando a aprovação presidencial na faixa dos 30%.

Questionado sobre os instrumentos remanescentes de Trump sem o apoio do Congresso, Lichtman pontuou que o presidente governa por meio de proclamações e decretos, já que sua agenda legislativa se limitou a cortes de impostos para ricos e empresas e restrições ao vale-alimentação e ao Medicaid. A grande incógnita, segundo o especialista, é se Trump adotará uma postura de moderação diante do resultado ou se intensificará sua tendência autoritária para impor sua agenda e assegurar ganhos financeiros pessoais e familiares sem amarras nos próximos dois anos.

Sobre a atuação da oposição, Lichtman indicou que os democratas precisam definir se usarão as novas maiorias com ousadia e agressividade na confrontação ao governo. As frentes em potencial incluem investigações sobre os arquivos de Jeffrey Epstein, a condução da guerra no Irã, denúncias de corrupção e políticas tarifárias. Além disso, o poder no Senado permitiria barrar indicações de nomes considerados perigosos e despreparados ao gabinete, como RFK Jr. (Saúde) e Pete Hegseth (Defesa), e impedir a nomeação de juízes vitalícios de extrema direita para a Suprema Corte.

No que tange aos preços e ao descontentamento popular, o historiador observou que, embora o Congresso possa aprovar leis e resoluções, o presidente detém o poder de veto e tende a seguir suas próprias inclinações. Para ele, o principal mecanismo de contenção disponível para o legislativo são as investigações e a possibilidade de constranger a administração em temas como guerras tarifárias, ações no Irã e imposições a instituições de ensino e memoriais como os museus Smithsonian.

Por fim, em relação às eleições presidenciais de 2028, Lichtman avalia que o pleito representou um golpe severo para as expectativas republicanas, desacreditando tanto Trump quanto figuras alinhadas, a exemplo de J. D. Vance. O historiador também pontuou que a perda de cadeiras nas eleições de meio de mandato costuma antecipar derrotas presidenciais, embora não preveja mudanças ideológicas repentinas no Partido Republicano, cuja base compartilha da defesa irrestrita da iniciativa privada e de guerras culturais. Como destaque positivo para os democratas, Lichtman apontou a vitória do senador Jon Ossoff na Geórgia, apontando-o como seu favorito para concorrer à presidência em 2028.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/derrota-deixa-trump-mais-perigoso-alerta-a-veja-historiador-com-fama-de-oraculo-eleitoral/

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