Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas Midterms, as Eleições de Meio de Mandato, realizadas na terça-feira (3). Com o resultado, o partido garantiu uma parcela significativa de poder em Washington, D.C., após dois anos de domínio republicano.
Durante a campanha, os democratas argumentaram que os republicanos cederam ao governo do presidente Donald Trump as prerrogativas constitucionais do Congresso sobre a declaração de guerra e os gastos públicos. A expectativa é de que o novo Congresso restrinja a política externa de Trump em diferentes frentes.
Conter a guerra contra o Irã
Trump não pediu a aprovação do Congresso antes de iniciar, ao lado de Israel, a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro deste ano. Os democratas votaram repetidamente pelo encerramento do conflito, a menos que o presidente buscasse autorização do Legislativo. Uma dessas resoluções foi aprovada na Câmara e no Senado com apoio de alguns republicanos, mas o governo Trump a ignorou.
Com sua nova influência, os democratas poderiam cortar gastos com defesa ou barrar nomeações, pressionando Trump a obter permissão do Congresso para dar continuidade à guerra. Eles também poderiam exigir que autoridades do governo mantenham parlamentares e a população informados sobre os planos por meio de audiências públicas.
Novo apoio à Ucrânia
Trump suspendeu em grande parte a ajuda financeira e militar direta à Ucrânia e gerou indignação no Congresso ao suspender sanções sobre o diesel russo e abrir exceções para o setor energético da Rússia. A partir de janeiro, com o controle de ambas as casas, os democratas poderão definir a pauta de votações e aprovar um novo pacote de ajuda à Ucrânia, possivelmente alcançando a maioria de dois terços necessária para derrubar um eventual veto presidencial.
Assessores democratas apontaram que prestar assistência às forças ucranianas é prioridade. O deputado democrata Gregory Meeks, de Nova York, cotado para presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, apresentou um projeto de lei bipartidário para bloquear o plano do presidente de permitir o retorno do diesel russo ao mercado global.
Fim da ajuda militar a Israel
O apoio a Israel diminuiu entre os democratas devido à conduta do país na guerra na Faixa de Gaza, que resultou na morte de dezenas de milhares de civis palestinos. A violência na Cisjordânia e a aliança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com os republicanos também influenciaram o cenário.
Os democratas podem limitar ou encerrar a ajuda militar a Israel, que inclui uma base de US$ 3,8 bilhões anuais, além de bilhões adicionais liberados após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Anteriormente, quase metade dos democratas na Câmara votou pelo corte da ajuda, enquanto parlamentares como Meeks defenderam impor limites ao fornecimento de armamentos, como bombas de grande porte.
Limitação dos gastos militares e restauração da ajuda externa
Os democratas são mais propensos a defender a limitação de gastos militares. Trump solicitou um aumento de 67% no orçamento militar, elevando-o para US$ 1,5 trilhão, mas a oposição bloqueou a proposta no Senado citando a falta de consulta sobre o conflito com o Irã e os cortes em programas sociais. Além disso, os democratas buscam restaurar o financiamento de ajuda externa que foi retido ou cancelado pelo presidente.
Maior escrutínio sobre a política para a América Latina
Na política para o Hemisfério Ocidental, Trump adotou uma postura agressiva, incluindo ações para a destituição do presidente da Venezuela, ataques letais contra embarcações na costa venezuelana e sanções contra Cuba, além de ameaçar intervenção militar no país. O governo norte-americano também buscou influenciar eleições em Honduras, na Argentina, na Colômbia e no Brasil.
Democratas solicitaram investigações e audiências sobre as ações de Trump na Venezuela, criticaram as sanções a Cuba e defenderam o fim do envolvimento em eleições estrangeiras.
