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Dólar dispara após eleição e traz desafio para investir nos EUA

A disparada do dólar e a queda da Bolsa após as eleições destacam os desafios e a importância de diversificar investimentos nos Estados Unidos.

Redação•28 de out. de 2026, 10:30
Dólar dispara após eleição e traz desafio para investir nos EUA
Imagem: site

Dólar dispara após eleição e traz desafio para investir nos EUA

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A recente disparada do dólar e a forte queda registrada pela Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições presidenciais voltaram a colocar os investimentos internacionais no radar dos brasileiros. Quem já possuía parte do patrimônio aplicado nos Estados Unidos encontrou na valorização da moeda americana um suporte para proteger o valor da carteira em reais. Por outro lado, o cenário para quem deseja começar a investir no exterior tornou-se mais desafiador, pois o câmbio elevado encareceu a compra de ações e fundos negociados em Wall Street.

De acordo com Ruben Guerrero, CEO da Webull Brasil e diretor da corretora para a América Latina, o dólar chegou a subir mais de 12% durante a sessão do primeiro pregão após as eleições. O movimento marcou a maior valorização intradiária da moeda americana desde janeiro de 1999. No mesmo dia, o Ibovespa recuou 10%, o que levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte desvalorização.

Para Guerrero, a reação observada nos mercados demonstra a importância de distribuir os recursos entre diferentes moedas e regiões, mas também impõe cautela a quem pretende enviar dinheiro para fora do país. Segundo o executivo, quem já contava com dólares na carteira garantiu um amortecedor, enquanto novos investidores precisam pagar mais caro para ingressar no mercado.

A rentabilidade dos investimentos internacionais depende de dois fatores principais: o desempenho dos ativos em dólar e a flutuação da moeda americana frente ao real. Quando o dólar avança, o valor em reais das aplicações no exterior cresce, mesmo sem valorização das ações. O inverso também pode ocorrer, reduzindo os ganhos obtidos no mercado norte-americano caso o real se recupere.

Vale a pena investir nos Estados Unidos agora?

Apesar da volatilidade cambial, Guerrero aponta que tentar adivinhar o momento exato para investir no exterior pode ser arriscado, uma vez que o comportamento do dólar é ditado por variáveis econômicas e políticas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A recomendação do executivo é que a decisão de ampliar a exposição internacional leve em conta os objetivos financeiros, o prazo das aplicações e a tolerância ao risco de cada investidor.

Como forma de mitigar o impacto das variações cambiais, uma estratégia adotada por aplicadores consiste em fazer aportes periódicos, evitando converter todo o capital de uma única vez. Dessa maneira, as compras ocorrem em diferentes cotações, diminuindo a dependência de um único ponto de entrada.

Riscos e setores no mercado americano

O mercado dos Estados Unidos também atrai investidores por oferecer acesso a setores com menor representatividade na Bolsa brasileira, como inteligência artificial, robótica, cibersegurança e indústria aeroespacial. No entanto, essa exposição traz riscos inerentes, já que companhias de tecnologia podem sofrer oscilações significativas decorrentes de alterações nas expectativas de crescimento, nas taxas de juros ou nos resultados financeiros.

Os fundos de índice, conhecidos como ETFs, são ferramentas frequentes para acessar o mercado norte-americano, permitindo investir em uma cesta de ativos em uma única aplicação. Contudo, o nível de diversificação varia conforme a composição de cada fundo. Mesmo opções que seguem índices amplos, a exemplo do S&P 500, acumulam concentração expressiva nas maiores empresas do país.

Guerrero ressalta que as dez companhias de maior peso no índice, majoritariamente ligadas ao setor tecnológico, respondem por quase 40% da composição. O risco principal, segundo o especialista, é confundir empresas de excelência com investimentos livres de risco, pois qualquer frustração com resultados ou com a monetização da inteligência artificial impacta toda a carteira.

Além das incertezas domésticas no Brasil, os investidores monitoram as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para 3 de novembro. O pleito poderá reconfigurar o Congresso norte-americano e impactar a capacidade do governo de Donald Trump de implementar propostas relativas a impostos, gastos públicos e regulação, afetando setores como energia, saúde e serviços financeiros.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/dolar-dispara-apos-eleicao-ainda-vale-a-pena-investir-nos-estados-unidos/

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