O presidente Donald Trump declarou nesta semana que a Venezuela enviou um presente de 1 milhão de barris de petróleo aos Estados Unidos, sem gerar custos para os contribuintes americanos. O anúncio, feito na terça-feira (27), gerou divergências iniciais com a NABEP (North American Blue Energy Partners), parceira do governo dos EUA em um investimento petrolífero na Venezuela.
Inicialmente, a NABEP informou na terça-feira que os Estados Unidos haviam comprado a carga com desconto substancial. Contudo, após as declarações de Trump de que o petróleo era gratuito, a empresa alterou seu posicionamento para alinhar-se à versão do presidente, confirmando que a remessa chegaria a um porto no Texas sem custos para os contribuintes.
Detalhes da parceria e da transação
O anúncio foi feito por Trump a caminho de um comício político em Corpus Christi, no Texas, onde recepcionaria navios-tanque com os primeiros frutos da parceria da NABEP. Segundo o presidente, os EUA assumiram o controle da Venezuela e a operação militar de janeiro — que resultou na destituição do presidente Nicolás Maduro — representou a maior vitória petrolífera da história.
O acordo foi firmado em agosto, quando o Pentágono adquiriu participação acionária na empresa controladora da NABEP, ligada à família de Alejandro Betancourt López. O pacto garante ao Departamento de Estado o direito de comprar 20% do petróleo venezuelado produzido pela empresa ao custo de produção de US$ 30 por barril, valor inferior ao de mercado.
De acordo com uma fonte a par do assunto, a primeira remessa foi vendida a US$ 0 o barril por meio de um acordo comercial em que a compensação ocorrerá com ajustes nos preços de retiradas futuras. Um porta-voz da Casa Branca reconheceu que apenas esta primeira remessa não teve custo para o contribuinte.
Repercussão e críticas
A administração Trump defende que o acordo mantém empregos e ajuda a revitalizar a infraestrutura do setor na Venezuela, cuja produção caiu para cerca de 1,2 milhão de barris diários frente aos mais de 3 milhões na década de 1990. Críticos, contudo, apontam a medida como exploração. O deputado democrata Dan Casten, de Illinois, criticou o governo e afirmou que Trump ocultou detalhes do esquema e que o destino dos valores ainda é incerto.
