Julgando-se pelos padrões de Donald Trump, o presidente americano tem adotado uma postura discreta em relação às eleições brasileiras. Até o momento, ele tem criticado o resultado e a forma do pleito, mas evitou declarar que não o reconhece ou que o considera inválido.
A atuação recente incluiu o envio de um assessor para organizar uma aeronave na Argentina, viabilizando a saída de Flávio Bolsonaro em direção aos Estados Unidos, onde ele recebeu tratamento especial e um visto provisório de permanência. Embora a medida fique aquém das expectativas do clã Bolsonaro, ela carrega significado para as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
O episódio sugere que a Casa Branca observa os laços bilaterais sob uma ótica estratégica que não contempla necessariamente uma mudança de regime no Brasil. Na doutrina de segurança nacional dos EUA, a região é vista como sua esfera de influência, embora o avanço da presença da China nesse espaço represente um desafio.
Outro ponto central para Washington é o papel desempenhado pelo Brasil na geopolítica de commodities, abrangendo combustíveis fósseis, minerais raros e produtos agrícolas. O governo norte-americano busca afastar Brasília de Pequim — uma tarefa considerada complexa — e deseja o acesso aos recursos naturais brasileiros.
Além disso, os Estados Unidos cobram alinhamento em ações conjuntas contra o narcotráfico ou narcoterrorismo, tratadas como prioridades de segurança nacional. No entanto, a adesão brasileira não é considerada simples: o país demonstra disposição para cooperar, mas recusa integrar a instituição criada especificamente para essa finalidade.
Diante desse cenário mais amplo e dos conflitos geopolíticos com o Brasil, o governo de Donald Trump trata o caso de Flávio Bolsonaro como uma questão secundária.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/waack-trump-mantem-flavio-em-segundo-plano-e-mira-brasilia/
