A Bridgewater Associates, um dos maiores fundos de hedge globais, avalia que a disputa presidencial brasileira é a mais relevante do ano entre os mercados emergentes. De acordo com o relatório “Bridgewater Client Observatory”, publicado nesta quinta-feira (1º), o pleito definirá a capacidade do país de captar recursos por meio da rotação de capital global para fora dos Estados Unidos e do retorno da poupança doméstica para ativos locais.
O documento aponta que a situação fiscal brasileira é o fator central para o retorno dos investimentos. A disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) deve gerar trajetórias fiscais completamente diferentes para a economia nacional.
Cenários econômicos para o país
Segundo a gestora, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia impulsionar reformas voltadas para a estabilização da dívida pública, contenção de gastos e diminuição de programas extraorçamentários, o que abriria espaço para a redução da inflação e das taxas de juros. Aliado a privatizações e a uma reforma tributária focada em investimentos e exportações, esse cenário geraria um ciclo econômico positivo com menor prêmio de risco.
Em contrapartida, a manutenção da gestão de Lula indicaria a preservação das estruturas atuais e resistência em enfrentar ajustes fiscais estruturais, como isenções fiscais, gastos fora do orçamento e rigidez orçamentária. Conforme o relatório, isso exigiria a manutenção de juros reais elevados para garantir a estabilidade cambial. Contudo, os autores ponderam que uma vitória petista tenderia a resultar em tentativas de reformas positivas defendidas pela campanha, sem provocar uma mudança fiscal abrupta e negativa.
Impacto nos investimentos e juros
O estudo destaca que investidores no Brasil obtêm rendimentos próximos a 14% ao ano, com ganho real de 9,5% acima da inflação e sem exposição a riscos, representando a maior taxa de retorno sem risco entre as principais economias globais. Essa dinâmica fez com que o patrimônio dos fundos de hedge no país caísse pela metade na comparação com 2022, com investidores locais e estrangeiros preferindo manter capital em opções de curto prazo e baixo risco.
O relatório aponta ainda que o mercado financeiro ainda não precificou uma vitória de Flávio Bolsonaro nem a respectiva virada econômica. A gestora menciona que as pesquisas e as probabilidades eleitorais oscilaram nos últimos meses, influenciadas por eventos políticos, investigações e medidas governamentais recentes, como o reajuste do Bolsa Família e o banimento de plataformas de apostas online.
