O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) encerram neste domingo, 25, a disputa presidencial do segundo turno, considerada a mais apertada desde a redemocratização do Brasil. A corrida chega ao dia da votação indefinida, conforme apontado por todas as pesquisas eleitorais divulgadas na véspera.
Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno com 47% dos votos contra 45% de Lula e aparece numericamente à frente nos oito principais levantamentos divulgados. Em todos eles, contudo, há um cenário de empate técnico, com vantagens numéricas que vão de quatro pontos percentuais na sondagem do Gerp (52% a 48% dos votos válidos) a 0,02 ponto percentual no levantamento da Futura (50,1% a 49,9%). No Datafolha e na Quaest, o índice aponta 51% a 49% para Flávio, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Historicamente, a eleição de 1989 entre Fernando Collor e Lula — quando Collor chegou ao dia da votação com três pontos percentuais de frente (47% a 44% no Datafolha) — era considerada a mais acirrada até então. O Datafolha aponta que outras disputas apertadas ocorreram entre Dilma Rousseff e Aécio Neves em 2014, e entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022, ambas com quatro pontos de vantagem para o candidato petista.
Desafios e apoios de Lula
Para buscar o quarto mandato presidencial, Lula enfrenta o desafio histórico de que nenhum candidato conseguiu uma virada no segundo turno desde o retorno da democracia; quem venceu a primeira etapa sempre saiu vitorioso no final. Com 95% do eleitorado já decidido, segundo o Datafolha, a margem para reversão é pequena. A campanha do petista trabalhou para ampliar a participação nas urnas, dado que a abstenção no primeiro turno bateu recorde com 21%, ou 33 milhões de eleitores, o que tende a prejudicar o candidato por afetar mais idosos e pessoas de baixa renda, grupos onde ele lidera. Um estudo do Datafolha indicou que, apenas entre eleitores propensos a votar neste domingo, a vantagem é maior para Flávio (52%).
Lula também disputa a reeleição com um governo desaprovado por quase metade do eleitorado (48% segundo a Quaest), apesar de uma reação recente na popularidade impulsionada por um pacote de bondades de alto custo fiscal. O capital eleitoral do presidente apoia-se em segmentos como mulheres, eleitores mais pobres, menos instruídos, idosos, católicos e na região Nordeste, onde obtém índices superiores a 60% em todas as pesquisas.
A trajetória e bases de Flávio Bolsonaro
Flávio consolidou sua candidatura apoiado por seu pai, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e o indicou como herdeiro nas urnas. A decisão contrariou setores da direita e o Centrão, mas o PL caminhou sem alianças, venceu o primeiro turno e elegeu as maiores bancadas na Câmara e no Senado.
Além da influência paterna, Flávio capitalizou a insatisfação popular, o sentimento antipetista e atraiu eleitores mais instruídos, mais ricos, jovens e evangélicos, segmento em que registra mais de 70% das intenções de voto contra Lula. Ele lidera em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Mobilização nas redes e nas ruas
A reta final do segundo turno foi marcada por intensa mobilização digital e nas ruas. O canal "Exército do Lula", liderado pelo deputado André Janones (Rede-MG), alcançou quase 11 milhões de seguidores. Do lado adversário, o canal "Tropa do Flávio" somou 2,1 milhões de apoiadores, contando com o reforço de parlamentares como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que possui 26 milhões de seguidores no Instagram.
Nas ruas, os atos finais reuniram multidões. No sábado, Lula esteve em Copacabana (Rio de Janeiro) pela manhã e encerrou a campanha na Avenida Paulista (São Paulo) à tarde, acompanhado por Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Simone Tebet, Marina Silva, José Dirceu e Eduardo Suplicy. Flávio iniciou o dia em Belo Horizonte e finalizou a campanha com manifestação na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, ao lado de nomes como o governador Tarcísio de Freitas e o governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL).
Votação e encerramento
Lula vota na manhã deste domingo em São Bernardo do Campo (SP), reduto de sua carreira sindical, e acompanhará a apuração em um hotel em São Paulo. Flávio vota na Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, e seguirá para Brasília para acompanhar o resultado da apuração.
