Os candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), promoveram ajustes em seus discursos ao longo da campanha em relação ao Bolsa Família, ao fim da escala de trabalho 6x1 e à redução da maioridade penal. As posições anteriores dos concorrentes passaram a ser utilizadas por adversários e geraram impasses, inclusive com disputas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Escala de trabalho 6x1
Uma das alterações mais expressivas no pleito envolveu o fim da escala 6x1. Inicialmente resistente à pauta, Flávio Bolsonaro votou favoravelmente à PEC aprovada no Senado no dia 14 de outubro. O texto, que passou por 75 votos a um, estabelece a diminuição da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo o valor dos salários.
O senador declarou que alterou sua visão após dialogar com trabalhadores e assegurou que não vai revogar a medida caso vença o pleito. Por sua vez, Lula, defensor do encerramento da escala, passou a questionar o histórico do adversário sobre o tema. No debate da Band em 18 de outubro, os dois debateram o assunto, momento em que o candidato do PL explicou a alteração de posicionamento e o atual presidente criticou a relação do senador com a classe trabalhadora. Na reta final, a campanha petista seguiu apontando a possibilidade de reversão da regra pelo candidato do PL, hipótese firmemente rejeitada pelo senador.
Maioridade penal
No setor de segurança pública, a mudança partiu de Lula, que declarou apoio à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em situações de crimes hediondos, rompendo com o posicionamento histórico do PT. A manifestação ocorreu depois que o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, apresentou uma emenda na PEC da Segurança Pública para baixar a maioridade para 16 anos, abrindo espaço para responsabilização a partir de 14 anos em crimes graves.
Como resposta, o senador governista Camilo Santana (PT-CE) inseriu outra proposta no texto permitindo a responsabilização penal a partir dos 16 anos restrita aos crimes hediondos. Lula apoiou essa indicação de Camilo Santana, embora a diretriz tenha gerado divisões internas no PT. O impasse travou um acordo para votar a PEC, resultando na retirada da pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que adiou a análise para o período posterior às eleições.
Bolsa Família
Em relação ao Bolsa Família, Flávio passou a apoiar a conservação e o reajuste do programa, apesar de críticas anteriores levantadas por publicações resgatadas por aliados de Lula. O debate se intensificou após Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, sugerir uma transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego formal ou criassem empresas. Posteriormente, a campanha esclareceu que os beneficiários manteriam o auxílio por até 24 meses, com direito de regresso ao programa caso perdessem a renda. O candidato refutou intenções de extinguir o benefício e acusou o oponente de propagar informações falsas.
O programa também gerou desgaste para Lula, criticado após declarar desconhecer que o auxílio estava há quase quatro anos sem reajuste. Ele afirmou ter ordenado a correção ao tomar ciência do cenário. Um reajuste de 15,04% foi divulgado em 17 de setembro, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691, com pagamentos iniciados na segunda-feira (19) e antecipados para encerramento na quarta-feira (21), antes do segundo turno. A CNN apontou que o Ministério do Planejamento alterou a minuta do aumento na véspera do anúncio, com aval da Casa Civil e amparo na legislação.
