Nas Eleições 2026, um total de 158,7 milhões de eleitores brasileiros irá às urnas para escolher representantes para os Poderes Executivo e Legislativo nos âmbitos federal e estaduais. Enquanto campanhas para presidente e governadores concentram os holofotes em debates e propagandas, especialistas apontam que disputas para o Legislativo muitas vezes recebem menos atenção da população.
Segundo o cientista político e professor da FGV EAESP, Eduardo Grin, a preferência por cargos do Executivo decorre de um traço cultural de busca por referências de liderança política com um rosto único. Com a multiplicidade de candidatos a parlamentares, essa identificação fica difusa nas propagandas eleitorais.
Neste pleito, estão em disputa todas as vagas das Assembleias Legislativas estaduais e da Câmara dos Deputados, que conta com 513 parlamentares federais — além de vagas proporcionais nos estados e no Distrito Federal. No Senado Federal, composto por 81 membros, o quórum terá uma renovação de dois terços, o equivalente a 54 vagas, com mandatos de oito anos.
Para a professora da ESPM e doutora em ciências políticas Carolina de Paula, o mandato mais longo no Senado garante estabilidade e continuidade de projetos. A renovação gradual permite que o estado mantenha representantes experientes para lidar com temas complexos e densos, superando as limitações de um mandato de quatro anos.
Funções e impacto do orçamento
Deputados federais e senadores têm a atribuição de propor, analisar e aprovar projetos de lei de alcance nacional, enquanto deputados estaduais atuam nas respectivas unidades federativas. Os parlamentares também participam das discussões sobre o orçamento público e a destinação de emendas parlamentares.
Com as emendas impositivas, cujo pagamento pelo Executivo é obrigatório, o Legislativo ganhou ainda mais destaque. Do orçamento discricionário da União, 25% são destinados a essas emendas. Contudo, Eduardo Grin pontua que o eleitorado menos informado, focado nas atividades cotidianas, tem dificuldade de analisar o impacto dos parlamentares sobre essas fatias do orçamento.
Alianças e o debate sobre o STF
O cargo de senador ganhou relevância especial nos discursos de candidatos a governador e a presidente devido a prerrogativas como a aprovação de indicações para cargos públicos — incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Procurador-Geral da República (PGR) —, além da votação de pedidos de impeachment de ministros da Suprema Corte.
Enquanto o tema do impeachment é bandeira de setores como o campo bolsonarista para reduzir os poderes do STF, Carolina de Paula aponta que o campo progressista também passou a lançar nomes para equilibrar o espectro ideológico. Segundo a especialista, as chapas estaduais foram fortemente moldadas com base nas articulações para a Casa Alta.
Para Eduardo Grin, apesar de recorrente, a pauta do impeachment de ministros do STF reflete mais disputas do meio político do que o cotidiano da população. Carolina de Paula alerta que o foco excessivo em conflitos entre os Poderes empobrece o debate eleitoral, deixando de lado propostas construtivas e a totalidade das atribuições do cargo de senador.
