As recentes eleições realizadas em Israel continuam a gerar incertezas no cenário político do país. Com mais de 90% das urnas apuradas por volta das 9h30 no horário de Brasília, o pleito evidencia um momento de intensa polarização, conforme avaliação do ex-embaixador israelense Ilan Sztulman.
Em entrevista concedida ao programa CNN Novo Dia na terça-feira (28), Sztulman apontou que a nação atravessa um período de grande indecisão. Segundo o ex-diplomata, o perfil do eleitor israelense reflete um fenômeno global que também pode ser observado em países como o Brasil e os Estados Unidos. “O retrato do eleitor é que Israel está em um processo de polarização, assim como no Brasil temos igual ou nos Estados Unidos”, declarou. Para ele, trata-se de uma dinâmica internacional em que as votações ganham um caráter fortemente emocional, diminuindo a relevância de temas práticos que precisam ser deliberados.
Cenário de crise e apuração das urnas
O ex-embaixador pontuou que o país lida com uma crise profunda e atua simultaneamente em diversas frentes de combate. “O povo está cansado de três anos de guerra, mas, por outro lado, você vê a maioria voltar ainda com esse governo que nos levou a essa situação em que estamos”, afirmou Sztulman.
Dados parciais divulgados até o início da tarde indicavam que, com 92,6% dos votos válidos apurados:
- O Likud, partido liderado pelo premiê Benjamin Netanyahu, registrava 20,74% dos votos.
- O Yashar, principal partido de oposição encabeçado por Gadi Eisenkot, alcançava 16,19% dos votos.
Participação e papel dos partidos árabes
Apesar do panorama incerto, o ex-diplomata manifestou otimismo quanto à inserção da população árabe no tabuleiro político de Israel. Em sua análise, o pleito consolida a necessidade de os partidos árabes exercerem relevância institucional. “Ninguém vai poder fazer uma coalizão sem a participação dos partidos árabes. Os árabes israelenses são israelenses, eles participam da vida e vão participar do governo de uma forma ou de outra”, destacou.
Entre as alternativas desenhadas para a consolidação de uma administração, Sztulman mencionou a construção de um governo de minoria ou a captação de opositores por meio de ofertas de cargos ministeriais. Contudo, ele advertiu sobre os obstáculos de gerir o país com margens parlamentares restritas, prevendo que governar será uma tarefa complexa devido ao risco de bloqueios legislativos constantes. Para o ex-embaixador, a alternativa mais viável a longo prazo seria a integração das legendas árabes, cuja legitimidade é respaldada tanto por sua visão pessoal quanto pelas leis do país.
