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Eleições nos EUA: carne bovina vira símbolo de inflação e guerra cultural

A alta no preço da carne bovina nos Estados Unidos transformou o alimento em símbolo de inflação e pauta de guerra cultural nas eleições de meio de mandato.

Redação•29 de out. de 2026, 05:30
Eleições nos EUA: carne bovina vira símbolo de inflação e guerra cultural
Imagem: site

Eleições nos EUA: carne bovina vira símbolo de inflação e guerra cultural

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A poucos dias das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, a carne bovina tornou-se um símbolo central tanto da pressão inflacionária quanto de disputas culturais na corrida pelo controle do Congresso. Com a alta nos preços dos alimentos e do diesel, candidatos democratas e republicanos passaram a explorar o custo da alimentação e os hábitos de consumo nas campanhas eleitorais.

No Mississippi, o candidato democrata ao Senado Scott Colom utilizou a carne em sua campanha após a republicana Cindy Hyde-Smith sugerir, em entrevista à emissora Wlox, que consumidores insatisfeitos com os preços buscassem outras fontes de proteína. Em um vídeo de campanha, um homem prepara hambúrgueres em uma churrasqueira e diz: "Escolher outra proteína? Eu preferiria escolher outro senador", transformando a crítica econômica em um apelo eleitoral.

No Texas, o democrata James Talarico tem aparecido em público comendo churrasco para rebater críticas dos adversários republicanos. Os opositores resgataram uma declaração de 2022 em que Talarico comemorava a decisão de sua campanha de comprar apenas alimentos veganos, buscando questionar sua relação com a pecuária local, um setor de forte relevância econômica e cultural no estado.

No Colorado, o confronto entre economia e identidade envolve o republicano Gabe Evans e o democrata Manny Rutinel, que disputa o 8º Distrito Congressional. O histórico de Rutinel — incluindo seu ativismo na faculdade com a Peta, a fundação da Climate Refarm em 2021 e o apoio a propostas de aumento de impostos sobre carne e laticínios — foi explorado por conservadores. Rutinel respondeu aparecendo comendo tacos de carne e recebendo apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica, afirmando que os eleitores se preocupam com a capacidade de pagar pelo que está em seus pratos. Evans argumentou que o problema reside na tentativa de usar o poder do governo para ditar hábitos alimentares.

Por trás da disputa política, o preço médio da carne moída atingiu o maior valor nominal da série histórica em agosto, custando US$ 6,92 por libra (equivalente a 454 gramas), segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Em setembro, o valor recuou para US$ 6,79, mas manteve-se 7,4% acima do patamar de um ano antes. A alta decorre de uma oferta restrita provocada por secas nas principais regiões produtoras, reduzindo o rebanho bovino ao menor nível em 75 anos.

Para tentar conter os preços, o governo do presidente Donald Trump suspendeu temporariamente tarifas sobre a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina em agosto, com exigência de venda 25% abaixo dos valores de mercado. No entanto, o impacto para o consumidor foi limitado, gerando uma queda de apenas US$ 0,13 por libra em setembro, conforme reportagem da rádio NPR. A medida gerou insatisfação entre pecuaristas e encontrou resistência até mesmo em candidatos republicanos, como Ashley Hinson, que disputa uma vaga no Senado por Iowa e defendeu o apoio aos produtores locais para a expansão dos rebanhos.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/10/29/eleicoes-nos-eua-carne-bovina-vira-simbolo-de-inflacao-e-guerra-cultural-na-disputa-pelo-congresso.ghtml

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