As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), resultaram em diversos marcos inéditos de representatividade na política do país. Pela primeira vez na história americana, o pleito elegeu uma mulher negra e uma mulher indígena para chefiar governos estaduais, além de um senador muçulmano e do primeiro homem abertamente gay a conquistar uma cadeira no Senado.
Na Geórgia, a democrata Keisha Lance Bottoms, de 56 anos, foi eleita como a primeira mulher negra a ocupar o cargo de governadora na história dos Estados Unidos. Ex-prefeita de Atlanta entre 2018 e 2022, ela venceu o empresário bilionário Rick Jackson — apoiado pelo presidente Donald Trump — e encerrou mais de duas décadas de hegemonia republicana no estado, tornando-se também a primeira mulher a governar a Geórgia.
Recorde das mulheres e governos estaduais
Dados de um levantamento do Centro para Mulheres Americanas e Política (CAWP), da Universidade Rutgers, indicam que pelo menos 17 dos 50 estados americanos serão administrados por mulheres a partir de 2027, o que representa 34% do total. Entre as vencedoras estão a democrata Amy Klobuchar, primeira mulher a governar Minnesota; a republicana Marsha Blackburn, que alcançou o mesmo feito no Tennessee; e a democrata Amy Acton, primeira mulher eleita governadora de Ohio.
Representatividade negra e indígena
Na Flórida, o aliado de Trump Byron Donalds tornou-se o primeiro negro eleito governador do estado, sucedendo o republicano Ron DeSantis. Em Wisconsin, o democrata David Crowley, de 40 anos, alcançou o mesmo feito ao derrotar o republicano Tom Tiffany. Já Aaron Ford consolidou-se como o primeiro governador negro de Nevada. As vitórias ocorreram paralelamente à reeleição de Wes Moore em Maryland, até então o único governador negro em exercício no país.
Entre os povos originários, duas democratas alcançaram vitórias históricas. No Novo México, Deb Haaland, integrante da comunidade Laguna Pueblo, tornou-se a primeira mulher indígena eleita governadora nos Estados Unidos. A vitória marca uma nova etapa para a ex-secretária do Interior de Joe Biden, que em 2021 havia se tornado a primeira pessoa indígena a ocupar um cargo ministerial no governo federal. Em Minnesota, a vice-governadora Peggy Flanagan, da Nação White Earth Ojibwe, foi eleita para o Senado, sendo a primeira mulher indígena a ocupar uma vaga na Casa, após derrotar a republicana Michele Tafoya.
Diversidade no Senado e comunidade latina
O Senado federal também registrou outros dois marcos nacionais. Em New Hampshire, o deputado democrata Chris Pappas, de 46 anos, tornou-se o primeiro homem abertamente gay eleito senador, ao vencer o republicano John Sununu. Em Michigan, o médico e epidemiologista Abdul El-Sayed, filho de imigrantes egípcios e integrante da ala progressista democrata, tornou-se o primeiro muçulmano a conquistar uma vaga no Senado, superando o republicano Mike Rogers em uma disputa marcada por ataques à sua religião.
A comunidade latina também garantiu posições inéditas em dois dos estados mais populosos dos EUA. No Texas, a democrata Gina Hinojosa, de 52 anos, venceu o republicano Greg Abbott — que estava no cargo havia quase 12 anos —, tornando-se a primeira mulher de origem latina e a primeira democrata a governar o estado desde 1995. Na Califórnia, Xavier Becerra, filho de imigrantes mexicanos e ex-secretário de Saúde de Biden, elegeu-se como o primeiro latino a comandar o estado.
