A ressaca das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos atingiu de forma drástica os negócios de Elon Musk. Horas após o encerramento da apuração, investidores passaram a reavaliar os riscos políticos para as empresas do bilionário, o que resultou em quedas expressivas nas ações da Tesla e da SpaceX. Com o movimento no mercado financeiro, a fortuna do empresário sofreu uma redução de aproximadamente US$ 41,8 bilhões (cerca de R$ 229 bilhões) em apenas um único dia.
De acordo com o ranking da Forbes, o patrimônio do empresário recuou de US$ 901 bilhões (cerca de R$ 4,94 trilhões) para um patamar pouco acima de US$ 859 bilhões (aproximadamente R$ 4,71 trilhões). Por volta das 17h, os papéis da SpaceX registravam desvalorização de 5,22%, representando uma queda de US$ 7,33 (cerca de R$ 40,15). A reação dos investidores evidencia a leitura de que o novo cenário político em Washington pode impor barreiras adicionais a setores estratégicos para Musk, como inteligência artificial, infraestrutura digital e contratos governamentais.
O impacto financeiro possui forte tom simbólico por atingir o principal financiador republicano do ciclo eleitoral. Musk injetou cerca de US$ 446 milhões para impulsionar candidatos e grupos alinhados aos republicanos, consolidando-se como o maior doador individual da história política recente dos Estados Unidos. Desse montante, cerca de US$ 216 milhões foram direcionados ao America PAC, comitê político criado para apoiar candidaturas conservadoras. Na véspera do pleito, o empresário utilizou a rede social X para solicitar votos para os republicanos, mas a publicação acabou sendo apagada após a divulgação dos resultados.
Apesar do aporte financeiro recorde e do ativismo político, os republicanos sofreram reveses significativos nas urnas. Os democratas asseguraram o controle de ambas as Casas do Congresso e ainda asseguraram uma vitória histórica no Texas, considerado um reduto estratégico para os empreendimentos de Musk. A candidata Gina Hinojosa venceu Greg Abbott e tornou-se a primeira mulher democrata a ocupar o governo do estado em mais de trinta anos.
Repercussão no mercado e novos desafios regulatórios
Analistas do mercado financeiro apontam que a nova configuração de forças em Washington tende a elevar o escrutínio sobre os planos de expansão do bilionário, especialmente em segmentos de tecnologia avançada e data centers. A projeção de um Congresso dominado pelos democratas gera expectativas de maior pressão regulatória e maior rigor na fiscalização de projetos energéticos e de infraestrutura.
"Uma vitória esmagadora dos democratas no Congresso pressionaria o setor de tecnologia e, potencialmente, geraria pressão regulatória sobre tudo relacionado à IA, além de possivelmente desacelerar os números de crescimento alucinantes que vemos diariamente e muitas vezes consideramos naturais", declarou Jake Dollarhide, presidente-executivo da Longbow Asset Management, em entrevista à agência Reuters.
Dollarhide também pontuou que o volumoso investimento de Musk em estados republicanos não foi suficiente para neutralizar o descontentamento popular com o encarecimento de serviços públicos, combustíveis e mantimentos.
O resultado das urnas também empodera parlamentares democratas que articulam uma vigilância mais rígida sobre as companhias controladas por Musk. Entre as figuras de maior oposição está Robert Garcia, cotado para assumir a presidência da Comissão de Fiscalização da Câmara, que publicou um recado direto aos aliados republicanos na noite da eleição. No Texas, a governadora eleita Gina Hinojosa já adotou posturas contrárias a incentivos fiscais para grandes empresas tecnológicas, contestou subsídios concedidos aos negócios de Musk e criticou a expansão de operações da SpaceX em áreas costeiras do estado. "Deixe-me ser clara: o Texas não está à venda", afirmou recentemente a democrata.
