A escolha para a futura indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) gerou divergências entre os aliados do presidente Lula (PT). O núcleo próximo ao chefe do Executivo divide-se atualmente entre apoiar a indicação de Jorge Messias ou optar por Rodrigo Pacheco.
De acordo com o analista de política Matheus Teixeira, em declaração feita durante o programa Hora H, uma ala ligada ao Congresso Nacional avalia que a indicação de Rodrigo Pacheco representaria o caminho mais seguro para pacificar a relação com o Senado Federal e assegurar a aprovação do atual ministro do Tribunal de Contas da União. Por outro lado, defensores de Jorge Messias argumentam que a reeleição de Lula, avaliada pelo grupo como um feito surpreendente com mais de 60 milhões de votos, conferiu maior força política ao presidente, permitindo que ele imponha sua escolha e faça o Senado aceitar seu candidato.
Questão de honra e cálculos políticos
O analista destacou que, no passado, o veto ao nome de Jorge Messias gerou forte irritação em Lula, transformando a eventual nomeação do advogado-geral da União para a Corte em uma questão de honra. Com a garantia de mais quatro anos de mandato e a avaliação de que a atual composição do Senado é menos direcionada à direita do que a futura, essa corrente enxerga um cenário propício para viabilizar a vaga.
As tratativas seguem em andamento e sem definição. O presidente reuniu-se com Davi Alcolumbre (União-AP) e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), logo após o resultado das urnas. Rodrigo Pacheco já era o preferido de Alcolumbre desde o início do processo e também conta com boa avaliação entre ministros do próprio STF.
Nos bastidores, Lula tem defendido que a definição do nome cabe exclusivamente ao Poder Executivo, cabendo ao Senado o papel de aprovar ou rejeitar o indicado. Além disso, o apoio a Davi Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado deve entrar nas negociações políticas, com a expectativa de cobrança de reciprocidade por parte do governo.
