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Economia

Estudo aponta os fatores que elevam o preço da conta de luz no Brasil

Estudo da FGV aponta que mais de dois terços da conta de luz no Brasil não estão relacionados ao custo direto da energia, encarecendo a tarifa frente a países com perfil renovável semelhante.

Redação•03 de nov. de 2026, 06:30
Estudo aponta os fatores que elevam o preço da conta de luz no Brasil
Imagem: site

Estudo aponta os fatores que elevam o preço da conta de luz no Brasil

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Um estudo recente aponta os principais motivos que tornam a conta de luz no Brasil mais cara em comparação a outros países com o mesmo perfil de geração de energia. Conforme o levantamento, quase 90% da energia gerada no país provém de fontes renováveis, com destaque para hidrelétricas e uma participação em alta da energia eólica e solar.

A pesquisa, elaborada pelo economista Daniel Duque, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido do Centro de Liderança Pública, revela que mais de dois terços do valor da fatura não estão vinculados ao custo direto da energia. Os dados indicam que, em 2025, a parcela correspondente à energia representava cerca de 30,4% da conta. Isso significa que, em uma fatura de R$ 1 mil, apenas R$ 300 referem-se estritamente à eletricidade.

O restante do valor é composto por diferentes frentes:

  • Distribuição: 26%
  • Tributos: 18%
  • Encargos setoriais: 15% (destinados a programas sociais e subsídios, como a irrigação na agricultura)
  • Transmissão: 10%

Além disso, o estudo aponta fatores adicionais que encarecem a tarifa, como exigências legais que obrigam a compra de energia de termelétricas e hidrelétricas de pequeno porte, e o sistema de bandeiras tarifárias, aplicado quando há seca e o nível da água nas hidrelétricas diminui.

Em um ranking global de 138 países, o Brasil não ocupa a primeira posição em termos de energia mais cara, mas registra tarifas superiores às de nações com perfil renovável semelhante, a exemplo de Canadá, Noruega e China, que conseguem converter esses recursos em preços mais baixos para o consumidor.

Para Daniel Duque, economista da FGV Ibre, o país necessita de maior coordenação entre as esferas governamentais federal, estadual e municipal com o objetivo de mitigar perdas na transmissão e distribuição, consideradas mais elevadas no Brasil do que em outras regiões do planeta.

O impacto dessa alta afeta tanto o consumidor comum quanto o setor produtivo. Em um condomínio residencial na Zona Norte do Rio de Janeiro, com mais de 400 apartamentos e 3 mil moradores, a conta de luz atinge R$ 40 mil mensais. O síndico profissional Jorge Lima relata que o custo representa de 20% a 40% do valor total do boleto, limitando novos investimentos. Na indústria, o peso da eletricidade afeta a competitividade de produtos frente ao mercado internacional. Para conter despesas, empresas do setor produtivo têm adotado investimentos em usinas de energia solar, substituição por equipamentos mais eficientes e o uso de inteligência artificial na gestão do consumo.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/11/02/veja-motivos-que-fazem-conta-de-luz-no-brasil-ser-mais-cara-do-que-a-de-outros-paises-com-o-mesmo-perfil-de-geracao-de-energia.ghtml

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