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Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso após sofrer impeachment

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira após o Senado confirmar seu impeachment em meio a uma crise bancária.

Redação•06 de nov. de 2026, 20:30
Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso após sofrer impeachment
Imagem: site

Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso após sofrer impeachment

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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na sexta-feira, 6, logo após o Senado do país confirmar o seu impeachment. A medida ocorreu em meio a uma grave crise bancária decorrente da falência do Ueno Bank, que congelou os depósitos de quase metade da população. Além de Peña, o Ministério Público paraguaio determinou a prisão de Carlos Carvallo, ex-presidente do banco central.

O processo de impeachment foi instaurado às pressas na véspera, após uma tentativa de renúncia por parte de Peña. A votação no Senado registrou 44 votos a favor e uma ausência. Com a condenação no julgamento político, o ex-mandatário perdeu o cargo no Poder Executivo e o direito à senadoria vitalícia, prerrogativa constitucional prevista no Artigo 189 que é negada a presidentes destituídos por impeachment. Sem a imunidade de foro privilegiado, ele responderá perante a Justiça ordinária, enfrentando representações criminais por enriquecimento ilícito, tráfico de influência e gestão em benefício próprio, além de uma nova investigação penal aberta pela Procuradoria-Geral do Estado.

A derrocada do governo foi impulsionada pela liquidação do Ueno Bank, decretada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) depois que o índice de solvência da instituição despencou para 5,56%, abaixo do exigido por lei. O banco digital, no qual Peña atuou como acionista até março de 2025 por meio do Grupo Vázquez, geria cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,5 bilhões) em recursos públicos. Desse total, cerca de US$ 380 milhões pertenciam ao Instituto de Previsão Social (IPS), responsável por aposentadorias e fundos de saúde de trabalhadores. O congelamento das contas afetou aproximadamente 3 milhões de clientes — metade da população de 6,4 milhões de habitantes —, paralisando pagamentos de aposentados e atingindo brasileiros residentes no país. A crise causou a renúncia do chefe do BCP, Carlos Carvallo, e a detenção de oito executivos, entre eles Miguel Vázquez, dono do grupo controlador e ex-sócio de Peña.

Enquanto a destituição era consolidada, manifestantes e estudantes ocuparam a Plaza de Armas, a sede do BCP e o Ministério Trabalho, exigindo a devolução de recursos e a prisão do ex-governante. No plenário, a comissão de acusação da Câmara dos Deputados apresentou o gráfico intitulado "Fundos do IPS no Ueno Bank: 30 vezes em 31 meses", apontando que os depósitos da previdência saltaram de 70 bilhões de guaranis em setembro de 2023, quando Peña assumiu a presidência, para 2,15 trilhões em abril deste ano. A deputada e fiscal acusadora Rocío Vallejo sustentou que Peña destruiu a reputação do Banco Central e destacou que o patrimônio dele se multiplicou por 23 entre 2017 e 2023, passando de 1,3 bilhão para mais de 23 bilhões de guaranis.

A defesa, liderada pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, tentou sem sucesso adiar a sessão por 72 horas e classificou as acusações como infundadas, argumentando que "os bancos caem em todos os lugares" e anunciando que recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Ausente no julgamento, Peña gerou suspeitas de fuga levantadas pela senadora Yolanda Paredes, enquanto o vice Pedro Alliana deve assumir a Presidência do Paraguai.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/ministerio-publico-do-paraguai-determina-prisao-de-santiago-pena-apos-impeachment/

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