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Economia

Prisão de Miguel Vázquez, o empresário por trás do colapso do Ueno Bank

Empresário paraguaio Miguel Vázquez foi preso após o colapso do Ueno Bank, gerando crise política, bloqueio de contas e investigações por fraude e administração desleal.

Redação•06 de nov. de 2026, 17:30
Prisão de Miguel Vázquez, o empresário por trás do colapso do Ueno Bank
Imagem: site

Prisão de Miguel Vázquez, o empresário por trás do colapso do Ueno Bank

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O empresário paraguaio Miguel Vázquez, de 36 anos, foi preso preventivamente após a decretação de resolução do Ueno Bank pelo Banco Central do Paraguai, ocorrida em 2 de novembro. Conhecido por sua paixão por carros esportivos e competições de triatlo, Vázquez pretendia transformar a instituição no primeiro unicórnio do Paraguai e levar uma empresa à Bolsa de Nova York.

A instituição financeira teve origem na empresa de crédito Credicentro, fundada pelo pai de Vázquez a partir de uma banca de mercado onde sua avó paterna vendia alimentos. O próprio Vázquez assumiu a direção do negócio familiar em 2014 e liderou a transformação em Ueno Bank em 2023, buscando atrair consumidores com forte presença digital. Em menos de três anos, o banco alcançou cerca de 3 milhões de clientes.

O crescimento acelerado atraiu investidores internacionais, como o OTP Bank, da Hungria, que adquiriu 10% da holding controladora em junho, avaliando o grupo em cerca de US$ 470 milhões. Com isso, a participação de Vázquez chegou a ser estimada em até US$ 375 milhões (cerca de R$ 2 bilhões). O empres também controlava o Grupo Vázquez, conglomerado com 28 participações empresariais em setores como pecuária e comércio eletrônico, que empregava cerca de 6.000 pessoas e registrou receitas superiores a US$ 100 milhões em 2025.

Crise e repercussão política

O colapso do banco ocorreu poucos meses após a captação de US$ 350 milhões em títulos internacionais e o anúncio de um plano de reforço de capital de US$ 100 milhões. Após problemas graves de solvência e irregularidades financeiras identificados pelo Banco Central, Vázquez se apresentou voluntariamente à polícia com seus advogados. Na sexta-feira (6), ele foi transferido para o Centro Nacional de Prevenidos, na antiga penitenciária de Tacumbú, em Assunção, para cumprir prisão preventiva.

As investigações envolvem suspeitas de administração desleal, tentativa de fraude, irregularidades contábeis e operações financeiras. O advogado Víctor Dante Gulino declarou à imprensa local que ainda buscava esclarecimentos sobre as acusações, que ainda serão examinadas pela Justiça sem condenação definitiva.

A queda da instituição gerou reflexos políticos e econômicos. Depósitos de instituições públicas no Ueno cresceram de menos de US$ 100 milhões no início de 2024 para mais de US$ 800 milhões, concentrando cerca de 20% dos depósitos do governo no sistema bancário paraguaio em setembro. O presidente Santiago Peña, que havia investido em uma das empresas de Vázquez entre 2019 e 2025, defendeu a escolha do banco e negou irregularidades, mas o escândalo o levou a enfrentar um processo de impeachment e a apresentar renúncia, permanecendo no cargo até sexta-feira (6) enquanto o Senado discutia a situação. Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central do Paraguai após a intervenção.

A situação também repercutiu no Brasil por meio do patrocínio do banco à seleção paraguaia de futebol em 2025. O zagueiro Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção, publicou comunicado afirmando que os jogadores também foram afetados pelo bloqueio das contas e compartilham da indignação de famílias que perderam o acesso às economias.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/carros-de-luxo-triatlo-e-wall-street-quem-e-o-vorcaro-do-paraguai-por-tras-da-quebra-do-ueno-bank/

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