A disputa pelo Palácio Guanabara no Rio de Janeiro permanece indefinida e cercada de incertezas devido ao chamado fator Garotinho. Ao final do primeiro turno, o candidato do PL, Douglas Ruas, liderou a apuração com cerca de 49,27% dos votos, enquanto o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) registrou 42,76%. Teoricamente, ambos disputariam o segundo turno, marcado para o dia 25.
No entanto, o cenário eleitoral depende de uma deliberação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca da candidatura sub judice do ex-governador Anthony Garotinho. Em 2018, ele foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa em decorrência de um esquema de desvio de verbas da Saúde destinado a financiar sua pré-campanha presidencial de duas décadas atrás, o que resultou em uma inelegibilidade de oito anos.
Enquanto o ex-governador sustenta que a proibição perdeu a validade em 1º de agosto deste ano, viabilizando seu retorno à disputa pelo governo estadual, o Ministério Público Eleitoral defende que a contagem do prazo de inelegibilidade apenas se inicia após o trânsito em julgado, momento em que se esgotam as possibilidades de recursos. Sob essa interpretação, a suspensão política persistiria até 2033.
Na terça-feira 29, o Tribunal Regional Eleitoral fluminense encerrou a discussão em âmbito estadual ao acolher por unanimidade a tese da Procuradoria. Com isso, a validação ou a anulação definitiva dos votos atribuídos a Garotinho passou a depender de um recurso analisado pelo TSE. Atualmente, os sufrágios do ex-governador foram computados, mas constam como “anulados sub judice”.
Caso o TSE opte pela anulação definitiva da candidatura, a Justiça Eleitoral poderá realizar a recontagem dos votos válidos, excluindo Garotinho e recalculando os percentuais de cada concorrente. Nessa hipótese, Douglas Ruas teria a possibilidade de superar a marca de 50% mais um dos votos válidos, assegurando o triunfo ainda no primeiro turno.
Durante uma entrevista coletiva, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Claudio Mello, destacou que as próximas etapas caberão ao TSE. Ao ser questionado se Ruas seria proclamado governador no evento de uma retotalização, o magistrado ponderou que não poderia fazer tal afirmação, citando o fator tempo: “Temos praticamente três domingos. Hoje é dia 4. Evidentemente, eu não sei como é que está o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Qual é a pauta que vão estar dando preferência ou não, mas tudo pode ocorrer”.
