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Economia

Fed deve subir juros nos EUA novamente neste ano, diz economista

Economista da Porto Asset avalia que alta de juros do Fed nos Estados Unidos deve ter continuidade e aponta reflexos para o cenário econômico do Brasil.

Redação•20 de set. de 2026, 07:37
Fed deve subir juros nos EUA novamente neste ano, diz economista
Imagem: site

Fed deve subir juros nos EUA novamente neste ano, diz economista

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O Federal Reserve (Fed) elevou os juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, levando a banda de referência da autoridade monetária para o intervalo entre 3,75% e 4%. A decisão foi unânime e amplamente esperada pelo mercado, reacendendo debates sobre os rumos da política monetária americana e os reflexos em mercados emergentes, como o Brasil.

Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset, avaliou em entrevista que o movimento do Fed dificilmente se encerrará nesta única alta. “Quando o banco central começa a subir, ele sabe como o ciclo começa, mas não sabe como o ciclo acaba”, afirmou. Para ele, um acréscimo de apenas 25 pontos base teria impacto limitado caso não fosse seguido de novos aumentos, tornando razoável aguardar novas altas.

Precificação do mercado e cenário futuro

De acordo com Sichel, a precificação atual contempla pelo menos mais uma alta de juros nos Estados Unidos ainda neste ano, com possibilidade de elevação adicional em 2026, um cenário que seria bem absorvido pelos agentes financeiros. Contudo, se ficar evidente um ciclo mais extenso, com duas altas em 2025 e uma ou duas no ano seguinte, a percepção mudaria de forma relevante, refletindo-se em câmbios, juros futuros globais e mercados de ações.

Reflexos no Brasil e atuação do Banco Central

Questionado sobre a continuidade de cortes de juros pelo Banco Central brasileiro em meio ao aperto monetário global, Sichel avaliou que ainda existe espaço para reduções. Ele mencionou o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária), que apontou desaceleração da atividade econômica em componentes cíclicos e conforto com a inflação.

  • “Pelo menos mais um corte parece estar dentro do plano da autoridade monetária aqui no Brasil”, disse o economista.
  • A alta simultânea de juros pelo Fed, pelo Banco Central Europeu e pelo Banco Central do Japão tende a elevar o piso da política mundial, dificultando reduções adicionais da Selic.
  • O câmbio foi apontado como a principal variável de transmissão. “Na hora que os juros globais sobem, muito provavelmente isso implica em uma pressão para a desvalorização do real”, explicou.

Apesar disso, Sichel observou que o real mantém comportamento positivo, sustentado pelo diferencial entre a Selic e a taxa americana, além da valorização das commodities e do petróleo em alta.

Dúvidas sobre a postura de Kevin Walsh

O economista também abordou a atuação de Kevin Walsh, que preside o Fed, pontuando que o mercado tenta compreender o perfil do dirigente. “A gente ainda está tentando entender exatamente quem é o novo presidente do Fed, e a comunicação dele não tem necessariamente auxiliado essa compreensão”, avaliou.

Sichel lembrou o histórico de preocupação de Walsh com a inflação, contraposto à defesa recente dos efeitos desinflacionários da inteligência artificial, além de uma declaração na qual o dirigente afirmou não precisar de desaceleração econômica para conter a inflação, rompendo com o arcabouço teórico tradicional.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/fed-deve-subir-juros-nos-eua-novamente-neste-ano-diz-economista/

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