Autoridades do Federal Reserve (Fed) voltaram a emitir alertas sobre as consequências econômicas e os custos associados ao controle da inflação. O debate ressurge à medida que o banco central eleva as taxas de juros, uma medida que busca conter a escalada de preços impulsionada principalmente pelos combustíveis após o início da guerra com o Irã em fevereiro.
Segundo o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, embora a inflação impulsionada pela oferta possa ser mais simples de controlar do que a demanda pós-pandemia, o processo "também não será indolor". O principal desafio para os banqueiros centrais consiste em equilibrar a contenção da alta de preços com a preservação de um mercado de trabalho saudável.
O mecanismo tradicional do Fed envolve elevar as taxas de juros para encarecer o crédito para empresas e consumidores, reduzindo gastos e esfriando a demanda. Contudo, essa desaceleração pode resultar em contratações mais fracas, redução de vagas e potenciais demissões. Beth Ann Bovino, economista-chefe do US Bank, comparou a situação afirmando que "a inflação é a doença" e que o Fed atua com a "cura" de juros mais altos, pontuando que ambas as alternativas trazem impactos negativos.
Os gastos dos consumidores representam cerca de dois terços da atividade econômica dos Estados Unidos. Caso o orçamento seja comprimido por preços elevados ou custos de crédito maiores, a economia pode desacelerar, com riscos de entrar em recessão em um pior cenário. Atualmente, os impactos não são homogêneos: enquanto cidadãos com investimentos expressivos na bolsa de valores lidam melhor com o cenário, aqueles dependentes de salários enfrentam maior vulnerabilidade frente ao encarecimento do custo de vida.
Discussão sobre o ritmo de atuação
Diante dos riscos associados ao aperto monetário, autoridades do Fed divergem sobre a urgência de novas ações. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, declarou no mês passado que "não há necessidade de urgência". Na mesma linha, o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirmou que ajustes futuros devem depender de uma análise detalhada dos dados e riscos.
Em contrapartida, a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, alertou que adiar medidas pode intensificar as dificuldades. Em entrevista à CNBC em agosto, Hammack afirmou que quanto mais tempo a inflação permanecer acima da meta anual de 2%, maior será o sofrimento enfrentado por indivíduos e empresas.
O foco das autoridades permanece em dosar a tolerância da economia às pressões e ponderar os riscos de agir de forma precipitada ou tardia. Novas pistas devem surgir com a divulgação do relatório do Índice de Preços ao Consumidor prevista para quarta-feira.
