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Economia

FMI alerta que crises de custo de vida elevam inflação e pobreza

FMI aponta que picos nos preços de alimentos e energia elevam expectativas de inflação, agravam a pobreza e ameaçam a estabilidade econômica.

Redação•06 de out. de 2026, 13:44
FMI alerta que crises de custo de vida elevam inflação e pobreza
Imagem: site

FMI alerta que crises de custo de vida elevam inflação e pobreza

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que picos acentuados nos preços de alimentos e energia devem se tornar mais comuns. De acordo com a instituição, tais crises elevam as expectativas de inflação por períodos mais prolongados, intensificam a pobreza e colocam em risco a estabilidade econômica global.

Uma pesquisa divulgada pelo FMI na terça-feira (6) avaliou o desempenho de estratégias adotadas por governos nos últimos trinta anos para conter saltos bruscos de preços. O levantamento também introduziu um novo modelo econômico que considera a inflação mais alta enfrentada por famílias de baixa renda, grupo que compromete uma fatia maior do orçamento com itens de primeira necessidade.

Historicamente raros em escala global, grandes aumentos nos preços de produtos diários tornaram-se recorrentes nos últimos cinco anos, impulsionados pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e pelos conflitos no Oriente Médio. O novo modelo econômico apontou uma discrepância de 0,8 ponto percentual em comparação à inflação padrão, revelando que, entre 2021 e 2024, 23 milhões de pessoas adicionais caíram abaixo da linha de extrema pobreza em relação aos cálculos anteriores.

“Em resumo, as crises do custo de vida afetam a estabilidade de preços, controlam os padrões de vida e agravam a desigualdade”, declarou Chiara Maggi, economista do FMI responsável pelo estudo, publicado como Capítulo 2 do relatório Perspectiva Econômica Mundial, com lançamento previsto para a próxima semana.

Expectativas de inflação e projeções econômicas

Os dados do FMI indicam que as expectativas inflacionárias de curto e médio prazo subiram consideravelmente durante episódios de crise de custo de vida, permanecendo acima dos patamares anteriores mesmo três anos após o início do choque. As projeções de inflação para um horizonte de cinco anos registraram alta modesta no início, mas também foram impulsionadas três anos após o evento, o que pode pressionar as taxas de juros para cima.

No mês passado, o FMI indicou que a economia mundial lidou com o choque energético do Oriente Médio melhor do que o esperado. A entidade mantém a projeção de que a produção econômica global cresça cerca de 3% em 2026, patamar alinhado à previsão divulgada em julho, mas inferior à média de 3,5% registrada em 2024 e 2025. A estimativa anterior considerava o encerramento do conflito em meados de julho, mas a escalada de ataques entre Irã e Estados Unidos, somada à expansão para países vizinhos nos últimos meses, manteve os riscos elevados.

Políticas públicas e proteção aos vulneráveis

Para o FMI, o emprego de transferências direcionadas representa a estratégia mais eficaz para que os países protejam as populações mais vulneráveis sem prejudicar os sinais de preço. A instituição pontua que medidas amplas para conter custos, como controles de preços e cortes de impostos sobre o consumo, podem exigir dos governos de três a seis vezes mais recursos para renovação, enquanto subsídios a produtores podem custar até 22 vezes mais.

Subsídios amplos também perdem eficácia caso várias nações adotem a mesma política simultaneamente. Segundo Chiara Maggi, os subsídios voltados a produtores — frequentemente adotados por nações em desenvolvimento — mostram-se particularmente ineficientes, pois reduzem custos de mercadorias destinadas à exportação, fazendo com que contribuintes locais financiem, na prática, consumidores estrangeiros.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/fmi-crises-de-custo-de-vida-tem-impacto-nas-expectativas-de-inflacao/

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