Uma queda comum na calçada que resulta em uma fratura no punho pode ser o primeiro indício da osteoporose, uma condição silenciosa que reduz a resistência dos ossos. O alerta foi apontado pelo ortopedista e especialista em Cirurgia de Mão e Microcirurgia Reconstrutiva Dr. Renato Polese Rusig.
A lesão na extremidade do osso do antebraço próxima ao punho, conhecida como rádio distal, está entre as mais frequentes após quedas com apoio da mão. Embora possa ocorrer em qualquer idade por traumas intensos, o quadro merece atenção especial quando decorre de uma queda da própria altura, sobretudo em pessoas a partir dos 60 anos.
Fragilidade óssea e prevenção
A osteoporose torna os ossos mais suscetíveis a impactos que normalmente não provocam lesões graves. Nas mulheres, a perda de massa óssea pode se acelerar depois da menopausa devido à queda nos níveis de estrogênio, enquanto nos homens o envelhecimento e outras condições clínicas afetam a saúde esquelética. Como a doença evolui sem sintomas, a fratura do rádio distal costuma ocorrer antes de lesões mais graves, como as na coluna e no quadril.
Especialistas ressaltam que nem toda fratura de punho decorre de osteoporose, sendo essenciais avaliar a intensidade do trauma, a idade e o histórico do paciente. Contudo, quando a lesão surge após um trauma de baixa intensidade, focar apenas na consolidação do osso representa a perda de uma oportunidade de prevenção.
Investigação e tratamentos
A investigação da saúde óssea pode envolver exames laboratoriais, avaliação de fatores de risco — como tabagismo, baixo peso, uso prolongado de corticoides e histórico de fraturas — e o exame de densitometria. Ferramentas clínicas como a calculadora FRAX também auxiliam a estimar a probabilidade de novas fraturas.
Quanto ao tratamento do punho fraturado, a decisão entre imobilização com gesso ou cirurgia depende de fatores como:
- Tipo de lesão e estabilidade
- Grau de desvio dos fragmentos
- Qualidade óssea e necessidades funcionais
- Idade e expectativas de recuperação do paciente
Quando há instabilidade ou desvio importante, pode ser indicada a cirurgia com fixação por placa específica e parafusos. Em qualquer abordagem, a reabilitação com fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais é fundamental para recuperar a força e a mobilidade.
Medidas complementares, como exercícios de fortalecimento e equilíbrio, alimentação adequada e tratamento medicamentoso, ajudam a proteger a saúde esquelética e a evitar novos episódios que comprometam a independência e a qualidade de vida dos idosos.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/fratura-do-punho-pode-ser-o-primeiro-alerta-para-a-osteoporose/
