Lideranças do agronegócio intensificaram o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República após o encerramento do primeiro turno das eleições. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) informou que a federação integrada por Progressistas e União Brasil fechou questão em torno da aliança, e uma reunião oficial deve formalizar a decisão em breve.
No âmbito da bancada ruralista, o presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), também declarou suporte ao candidato do PL, justificando a escolha pelas atuais dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo no cenário econômico.
Negociações e articulações políticas
Segundo Tereza Cristina, o apoio formal do Republicanos também está em fase de debates. As conversas, conduzidas com o presidente da legenda, Marcos Pereira, envolvem o alinhamento programático em torno de pautas de centro-direita e contemplam as disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
A parlamentar, que chegou a ser cotada para a vaga de vice na chapa presidencial, relatou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participa ativamente das articulações políticas ligadas à candidatura. Tereza Cristina pontuou ainda que o movimento ocorre em um momento de expansão do apoio a Flávio Bolsonaro entre partidos e setores conservadores.
Críticas ao cenário macroeconômico e juros
Para Pedro Lupion, a adesão da FPA está diretamente ligada às barreiras financeiras impostas ao produtor rural. O deputado apontou que o endividamento público, estimado em cerca de R$ 11 trilhões, o déficit primário e o patamar das taxas de juros prejudicam os investimentos do setor.
O presidente da FPA afirmou que os produtores lidam atualmente com juros reais superiores a 20%, o que dificulta a quitação de débitos, desestimula novos aportes e restringe a expansão da produção. "Quando impede a produção, impede a geração de emprego, impede o crescimento econômico", declarou Lupion.
O parlamentar também criticou as ações do governo federal para a renegociação de dívidas do setor. Segundo ele, as tratativas referentes ao PL 52 não evoluíram da forma esperada, uma medida provisória beneficiou menos de 12% dos produtores e 144 emendas apresentadas pela bancada foram rejeitadas. Além disso, Lupion criticou o seguro rural, afirmando que a ferramenta perdeu eficácia no atual governo, e defendeu maior facilidade no acesso ao crédito.
Peso do agronegócio e cenário legislativo
Lupion ressaltou a relevância econômica do setor, lembrando que o agronegócio responde por cerca de 30% dos empregos, mais de 50% da balança comercial e aproximadamente 25% do PIB brasileiro.
O deputado também comentou o resultado das eleições legislativas. Conforme o levantamento divulgado, 18 integrantes da FPA eleitos pela Câmara conquistaram assentos no Senado para a próxima legislatura. A estimativa é de que a bancada agropecuária alcance cerca de 330 deputados federais e supere 47 senadores a partir de 2027.
Outros temas e Proposta de Emenda à Constituição
Tereza Cristina justificou seu apoio a Flávio citando relatos de insatisfação colhidos durante viagens pelo Nordeste e pelo interior do país, e defendeu a construção de um projeto focado na prosperidade. A senadora reiterou sua posição contrária à reeleição para o cargo de presidente da República por meio de uma PEC de sua autoria, cuja extensão a governadores e prefeitos ainda será discutida no Congresso.
Sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a senadora afirmou que ele segue como referência política, mas negou que Bolsonaro tenha debatido com ela sua participação em um eventual governo de Flávio. A declaração de apoio atual da FPA se une a manifestações anteriores, como a realizada por Pedro Lupion em abril durante a Agrishow.
