A Rede Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que estava programado para ocorrer na última quinta-feira (1º). De acordo com a emissora, a medida foi tomada em virtude de determinações judiciais consideradas uma intervenção indevida na liberdade de organização de debates por parte dos veículos de imprensa.
Entre as regras estabelecidas inicialmente pela emissora estava a possibilidade de manter o púlpito de um candidato convidado caso ele faltasse. O espaço vazio seria exibido durante as perguntas, o mediador apontaria a desistência e os demais concorrentes poderiam direcionar questionamentos ao político ausente. No entanto, a prática foi proibida pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A magistrada apontou que o formato geraria desequilíbrio entre os participantes e avaliou que as consequências negativas buscavam forçar a participação, que é facultativa por lei. O Partido dos Trabalhadores (PT) havia assinado um documento concordando com tais regras.
A emissora também pontuou outras duas determinações judiciais recebidas antes do evento. Na última terça-feira (29), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, atendeu a um pedido do partido Novo e alterou o entendimento sobre a obrigação de convidar candidatos de legendas com mais de cinco deputados federais, estendendo o convite para partidos que atingiram esse número na composição atual das bancadas, e não apenas no último pleito. A legenda de Romeu Zema elegeu três parlamentares em 2022, mas incorporou outros dois posteriormente.
Cerca de duas horas antes do início programado para o debate, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, do partido Missão, no evento. O critério da emissora previa a inclusão do candidato melhor posicionado nas pesquisas eleitorais em caso de desistências. Renan Santos ocupou a quinta colocação na pesquisa Quaest utilizada como referência.
Em nota, a emissora declarou que seu objetivo é promover o debate de ideias e propostas para o país, mas ressaltou que as decisões da Justiça geram insegurança jurídica e interferem na autonomia dos veículos de comunicação.
