A área internacional do Palácio do Planalto avalia que a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil para os Estados Unidos, ocorrida nesta terça-feira (27), tem potencial para gerar desgaste adicional nas tratativas diplomáticas com o governo norte-americano.
Apesar da projeção de impacto na relação bilateral, assessores diplomáticos pontuam que o acontecimento não justifica o rompimento de laços institucionais com a Casa Branca. Pelo contrário, a diplomacia brasileira estabelece como uma das principais metas da política externa no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a retomada de um vínculo pragmático com Washington, independentemente de a família Bolsonaro estar abrigada no país norte-americano.
Entre os pontos prioritários da agenda de negociações futuras entre as nações constam as trocas comerciais — pendentes de entendimento sobre o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a mercadorias brasileiras — e a área de segurança pública, contemplando as diretrizes recentes anunciadas pela Casa Branca acerca do combate ao crime organizado internacional.
Ainda segundo a leitura do Planalto, o principal dano político gerado pelo episódio ocorreu na relação entre o parlamentar e os mais de 60 milhões de eleitores que depositaram votos nele. Essa linha argumentativa será adotada por governistas e aliados para sustentar que o opositor de Lula derrotado nas urnas desrespeitou seu eleitorado ao abandonar o território nacional. Aliados relatam que Flávio deixou Brasília durante a madrugada.
Na perspectiva dos assessores do governo, cortar relações com os Estados Unidos significaria atender aos interesses da ala com perfil mais ideológico em Washington e da extrema direita brasileira. O Planalto interpreta que o triunfo eleitoral de Lula representou um revés para o Departamento de Estado norte-americano, que visava suprimir administrações progressistas na América Latina, gerando um ambiente de disputa interna na capital dos EUA entre correntes ideológicas e pragmáticas.
Adicionalmente, o governo brasileiro projeta que o entendimento com os norte-americanos poderá registrar avanços expressivos após as eleições de meio de mandato no país estrangeiro, sob a expectativa de consolidação de uma maioria democrática em ambas as Casas legislativas. Interlocutores da Casa Branca indicaram que o senador já teria aterrissado em solo norte-americano acompanhado de sua esposa e filhas.
No cenário político externo, Donald Trump reiterou nesta terça-feira (26), sem apresentar comprovações, alegações de fraude no pleito presidencial brasileiro. A declaração repetiu o tom adotado na véspera, ocasião em que também ponderou ter apreço e bom relacionamento com o petista. A gestão Lula optou por não emitir manifestação oficial acerca das falas do republicano.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/planalto-ve-em-fuga-de-flavio-impacto-na-relacao-com-os-eua/
