O acirramento do conflito no Oriente Médio provocou novos impactos na economia global e na brasileira, impulsionado pelo fechamento do oleoduto Leste-Oeste, conhecido como Petroline, na Arábia Saudita. A paralisação ocorreu após o trecho das instalações ser atingido por drones vindos do Iraque, em um ataque atribuído a milícias ligadas ao Irã. A medida afastou expectativas de cessar-fogo e elevou a cotação internacional do barril de petróleo para patamares superiores a 100 dólares, atingindo 108 dólares na máxima recente para o tipo Brent.
O oleoduto Petroline possui 1.200 quilômetros de extensão e transporta cerca de 5% do petróleo comercializado no mundo, servindo como rota principal para a produção saudita diante dos bloqueios iranianos no Estreito de Ormuz. Além disso, ataques de rebeldes hutis no Iêmen intensificaram os riscos à navegação no Mar Vermelho, estrangulando as rotas de escoamento e reduzindo as alternativas seguras para os produtores.
Segundo Bruno Cordeiro, especialista de inteligência de mercado da StoneX, a reversão rápida para os preços anteriores ao conflito é improvável, mesmo com uma eventual queda nas cotações, devido ao consumo dos estoques globais e aos patamares elevados dos derivados, como gasolina, diesel e querosene de aviação.
Impactos financeiros globais e alta de juros
O choque inflacionário gerado pela disparidade do petróleo provocou turbulências em bolsas de valores ao redor do mundo e uma fuga de investidores de títulos soberanos. A taxa dos papéis de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos ultrapassou 5% ao ano, enquanto no Reino Unido atingiu 5,4%, e no Japão subiu para 3% ao ano.
O cenário levou bancos centrais a alterarem suas políticas monetárias. O Banco Central Europeu elevou a taxa básica na União Europeia para 2,5% ao ano sob a condução de Christine Lagarde. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, liderado por Kevin Warsh, aumentou os juros em 0,25 ponto percentual, situando a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, no primeiro incremento desde julho de 2023.
Reflexos no Brasil e medidas governamentais
No cenário nacional, o governo ampliou os subsídios para gasolina e diesel para amortecer os impactos dos choques externos. Conforme dados do Ministério do Planejamento e Orçamento, os custos com os auxílios aproximam-se de 40 bilhões de reais. Para o economista Adauto Lima, da Franklin Templeton, a arrecadação com petróleo cresceu, mas os recursos foram direcionados aos subsídios em vez de abater a dívida pública. A Petrobras também registrou episódios de oscilação e recuo em anúncios de reajuste de preços nas refinarias.
O economista Fabio Silveira, da Volt Partners, avalia que a inflação brasileira permanece mascarada devido às intervenções estatais. No âmbito monetário, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual aprovado por unanimidade pelo Copom, que adotou cautela diante da instabilidade internacional. Na avaliação de André Rebelo, diretor de assuntos estratégicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a manutenção prolongada desses patamares de preços pressionará novamente os custos industriais.
