Durante um debate realizado em uma terça-feira (29), Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) protagonizaram um confronto centrado na gestão das contas públicas do governo federal e em modelos econômicos, incluindo citações à administração do presidente da Argentina, Javier Milei.
No bloco de tema livre, Tarcísio de Freitas questionou o novo marco fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, classificando o arcabouço como "frouxo" e afirmando que seus limites foram violados no início. O governador paulista apontou a existência de uma situação fiscal delicada que geraria reflexos na taxa de juros, definindo o cenário como "negacionismo fiscal".
Em sua resposta, Fernando Haddad rebateu as críticas ao mencionar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência e acusou a oposição de tentar barrar a reforma tributária promulgada no final de 2023, afirmando que o grupo deseja destruir a principal conquista posterior ao Plano Real. Em seguida, Haddad questionou Tarcísio: "Vocês querem o Milei aqui, não é?".
O ex-ministro da Fazenda fez menção ao presidente argentino, cuja gestão foca no controle da hiperinflação por meio de cortes acentuados de gastos públicos. A administração vizinha foi recebida positivamente pelo mercado financeiro diante de indicadores como a desaceleração da alta de preços e o controle fiscal. Contudo, os cortes de subsídios e programas sociais também provocaram elevação na pobreza e no desemprego. Em abril, o governo de Milei classificou como "caso isolado" a repercussão de um episódio sobre o suposto consumo de carne de burro devido ao encarecimento da carne bovina. Haddad ironizou a situação ao afirmar que a oposição fornecia ossos e agora pretenderia carne de burro no Brasil, fazendo referência a registros de 2021 de pessoas recolhendo carcaças de boi no Rio de Janeiro.
Em tréplica, Tarcísio defendeu que o líder argentino assumiu um contexto bastante complexo e "está indo bem". O governador afirmou desejar uma redução nas despesas primárias e apontou que a economia brasileira apresenta lentidão, com cidadãos endividados e empresas falindo, relacionando o descontrole dos gastos públicos aos juros altos.
O debate também abordou indicadores econômicos nacionais. O texto aponta que, após cinco reduções seguidas pelo Banco Central (BC), a taxa básica Selic encontra-se em 13,75%, enquanto o recorde de inadimplência no país voltou a ser renovado em agosto, conforme informações da autoridade monetária.
