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Economia

Ibovespa bate recorde e ações disparam após primeiro turno das eleições

Ibovespa bate recorde e ultrapassa 200 mil pontos após o primeiro turno das eleições presidenciais, impulsionado por setores sensíveis a juros.

Redação•06 de out. de 2026, 18:34
Ibovespa bate recorde e ações disparam após primeiro turno das eleições
Imagem: site

Ibovespa bate recorde e ações disparam após primeiro turno das eleições

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O Ibovespa disparou 7,7% e superou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos, registrando um novo recorde na segunda-feira (6), primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais. No mesmo período, o dólar registrou forte queda de mais de 4%, retornando ao patamar de R$ 5, enquanto as taxas de juros projetadas pelo mercado para os próximos anos recuaram expressivamente.

A reação do mercado financeiro ocorreu depois que Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a primeira etapa da disputa eleitoral na liderança, com 47,03% dos votos válidos, superando Lula (PT), que obteve 45,16%.

Entre os destaques de valorização na bolsa, companhias como Magazine Luiza, Cosan, B3, BTG Pactual e Vamos registraram ganhos superiores a 20%.

Setores mais sensíveis aos juros lideram altas

A alta generalizada esteve concentrada em empresas com maior sensibilidade às taxas de juros e forte exposição à economia doméstica e ao crédito, como varejo, bancos, locadoras, construção civil e companhias endividadas.

O Magazine Luiza liderou os papéis do varejo com alta de 24,18%, acompanhado por C&A Modas, Assaí, Lojas Renner e Azzas. O setor é altamente dependente do crédito e do consumo familiar. Segundo Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, "juros menores aumentam o valor que os investidores atribuem aos lucros futuros das empresas, o que pode elevar sua avaliação mesmo antes de uma melhora efetiva nos resultados. No varejo e no consumo, também podem estimular o crédito e a demanda".

Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, ressalta que o movimento reflete a antecipação de expectativas: "Não é necessariamente porque a economia vai melhorar. O que melhora primeiro são as expectativas. Mesmo que o ajuste fiscal provoque alguma desaceleração, o mercado já antecipa uma melhora nas perspectivas para os juros".

Bancos e mercado financeiro

No setor financeiro, a B3 e o BTG Pactual avançaram 22,63% e 22,52%, respectivamente, enquanto as ações preferenciais do Bradesco subiram 13,57%. A queda dos juros combinou-se com a expectativa de maior dinamismo no mercado de capitais, com ampliação de negociações, captações e concessão de empréstimos.

Locadoras, construção e energia

Empresas intensivas em capital e com maior necessidade de financiamento também figuraram entre as maiores altas. A Vamos e a Localiza subiram 21,31% e 20,68%, respectivamente. No setor de construção imobiliária, a Cyrela registrou valorização de 18,40%, impulsionada pela perspectiva de facilitação no financiamento de imóveis.

No segmento de energia, a Cosan avançou 23,79%, enquanto Energisa e Equatorial subiram 13,96% e 13,72%. Analistas apontam que empresas alavancadas beneficiam-se diretamente com a redução no custo do crédito.

O desempenho da Petrobras e das exportadoras

As ações da Petrobras subiram apesar da queda do petróleo no mercado internacional. Para Edgar Araújo, o movimento pode estar associado à redução na percepção de risco político e a expectativas sobre a gestão e investimentos. Por outro lado, Matheus Spiess destaca que as demais empresas exportadoras sofreram com a valorização do real, que reduz o valor das receitas obtidas em moeda estrangeira.

Perspectivas futuras

Especialistas ressaltam que a alta expressiva não reflete uma melhora imediata nos resultados operacionais das companhias, mas sim uma mudança nas expectativas dos investidores. "O ponto central não é que os resultados e as perspectivas das empresas tenham mudado de uma hora para outra, mas sim que o mercado passou a enxergar uma probabilidade maior de melhora na trajetória fiscal, de queda dos juros e de um ambiente mais favorable ao investimento privado", avalia Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/06/setores-da-economia-bolsa-1o-turno.ghtml

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