Após uma sessão turbulenta na última segunda-feira (26), o Ibovespa encerrou as negociações com tombos superiores a 13%, estacionando nos 176.608 pontos. O recuo expressivo representou a maior baixa diária registrada na bolsa brasileira desde março de 2020, marco inicial da pandemia de Covid-19.
Devido à forte volatilidade, ao aumento da aversão ao risco e aos tombos acentuados nos principais índices, a B3 precisou acionar o mecanismo de circuit breaker logo no começo do pregão. A interrupção das atividades teve uma duração estimada em 30 minutos.
A reação negativa da bolsa ocorreu em resposta ao resultado eleitoral do último domingo, que confirmou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o seu quarto mandato. O pleito contrariou as projeções dos acionistas, que aguardavam a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), cenário que havia sido impulsionado pelas pesquisas eleitorais de segundo turno indicando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro com leve vantagem. Lula alcançou 51,79% dos votos, renovando o próprio recorde como o presidente mais votado da história.
Maiores quedas do Ibovespa
As ações da Magazine Luiza (MGLU3) puxaram a lista de perdas da sessão, registrando um tombo superior a 58%. O setor varejista figura entre os mais vulneráveis aos juros, que dispararam no dia em decorrência da frustração do mercado com a vitória de Lula e com a ausência de expectativas de alteração na política fiscal.
O ranking das maiores baixas foi completado pelos papéis da Vamos (VAMO3), com queda próxima a 57%, e da Hapvida (HAPV3), que recuou cerca de 55%.
Confira as principais quedas do pregão de segunda-feira (26):
- Magazine Luiza (MGLU3): -58,23%
- Vamos (VAMO3): -56,79%
- Hapvida (HAPV3): -54,93%
- C&A Modas (CEAB3): -47,47%
- Cosan (CSAN3): -46,73%
Destaques positivos
Em contrapartida, o lado positivo da sessão contemplou empresas voltadas ao mercado internacional, que costumam se beneficiar com a valorização do dólar por meio das exportações. O avanço foi liderado pela Suzano (SUZB3), com alta de 10,08%, seguida por Embraer (EMBJ3), que cresceu 8,89%, e WEG (WEGE3), que subiu 4,21%.
Análise do mercado
De acordo com Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado havia se preparado e precificado uma transição de governo, projetando anos mais racionais voltados ao controle de gastos e ao comportamento da dívida pública.
"Entretanto, com o cenário consumado da reeleição do Lula, os investidores globais cortam suas expectativas para mais 4 anos do mesmo perfil de governo que levou o Brasil a um dos juros reais mais altos do mundo. É por the razão que a bolsa cai tanto hoje", declarou Magno.
