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Ilha de Coiba, no Panamá, volta a receber detentos após duas décadas

Arquipélago de Coiba, no Panamá, volta a receber detentos em sua base aeronaval após duas décadas do fechamento de sua histórica prisão a céu aberto.

Redação•04 de nov. de 2026, 13:31
Ilha de Coiba, no Panamá, volta a receber detentos após duas décadas
Imagem: site

Ilha de Coiba, no Panamá, volta a receber detentos após duas décadas

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O arquipélago de Coiba, composto por 38 ilhas e ilhotas situadas a aproximadamente 25 quilômetros da costa oeste do Panamá, voltou a receber detentos pouco mais de 20 anos após o encerramento de suas atividades prisionais. A região funcionou por mais de 80 anos como uma prisão a céu aberto, marcada por registros de torturas, trabalhos forçados e massacres.

A área de cerca de 270 mil hectares passou a abrigar detentos em 1919, sob o governo de Belisario Porras (1856-1942). Naquela época, os prisioneiros exerciam atividades não remuneras em fazendas, cuidando do cultivo de alimentos e da criação de animais.

O isolamento geográfico e a ocupação humana restrita permitiram que a maior parte dos ecossistemas da região permanecesse preservada, o que levou Coiba a figurar na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. Por outro lado, o arquipélago acumulou um histórico de violações de direitos humanos, caracterizado por jornadas exaustivas, escassez de alimentos e de atendimento médico, agressões e episódios marcantes — especialmente durante a ditadura militar no Panamá, entre 1968 e 1989.

Em 1998, quatro detentos teriam sofrido decapitação por um grupo rival durante uma tentativa de fuga. O acontecimento intensificou a pressão social que culminou no desativação da prisão em 2004, após 85 anos de funcionamento.

Desde o fechamento, pesquisadores e cientistas têm se dedicado ao estudo da natureza local, analisando temas como a regeneração da vegetação em trechos explorados pela agricultura, os recifes e as rotas migratórias de tubarões e baleias. O local também serve de habitat para espécies extintas em outras áreas panamenhas, a exemplo da arara-vermelha e da águia-de-crista.

A retomada do uso prisional ocorreu após uma fuga em massa de 195 detentos da penitenciária de La Joyita, localizada em Pacora. O governo atual justificou a medida como uma ação de segurança nacional e determinou a transferência de 32 presos para a base aeronaval da ilha. Foram 29 detentos considerados de alto risco transferidos em junho, além de outros três em agosto.

A decisão gerou apreensão entre pesquisadores e ambientalistas. O Centro de Defesa Ambiental do Panamá, acompanhado de dezenas de entidades, argumentou que a legislação de proteção do parque não prevê a recepção de presos. Em contrapartida, o Ministério do Meio Ambiente declarou que não houve impacto ambiental, visto que a operação dispensou a construção de novas instalações.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/pesadelo-no-paraiso-ilha-paradisiaca-que-serviu-de-prisao-a-ceu-aberto-por-mais-de-80-anos-volta-a-receber-detentos-apos-duas-decadas/

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