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Inadimplência no Brasil atinge recorde histórico e afeta economia

Inadimplência atinge quase 84 milhões de brasileiros em agosto, segundo a Serasa Experian, levando o governo a preparar nova versão do Desenrola Brasil.

Redação•24 de set. de 2026, 20:11
Inadimplência no Brasil atinge recorde histórico e afeta economia
Imagem: site

Inadimplência no Brasil atinge recorde histórico e afeta economia

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Em agosto, o Brasil registrou um recorde histórico de inadimplência, alcançando quase 84 milhões de brasileiros com ao menos uma conta em atraso, segundo dados da Serasa Experian. O montante representa mais da metade da população adulta do país. O levantamento abrange não apenas dívidas bancárias, mas também contas básicas não pagas, como água, luz e condomínio.

O valor médio devido por inadimplente subiu 81%, passando de 3.820 reais no início de 2021 para 7.050 reais atualmente. No mesmo período, o salário médio do brasileiro avançou 51%, indo de 2.490 para 3.760 reais, conforme dados do IBGE. Entre 2016 e 2020, o total de consumidores inadimplentes oscilava entre 59 milhões e 61 milhões, mas passou a subir continuamente a partir de 2021, incorporando cerca de 20 milhões de pessoas.

Diante desse cenário, o governo federal prepara uma terceira versão do programa Desenrola Brasil para renegociação de dívidas, após o encerramento da segunda rodada no final de agosto. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que classificou o programa como uma primeira vacina contra o endividamento. Na mesma ocasião, o presidente Lula assinou um reajuste de 15% no Bolsa Família. A segunda edição do Desenrola Brasil em 2026 contou com a renegociação de dívidas por 9 milhões de famílias, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O impacto do endividamento também é refletido nos indicadores do Banco Central. Em junho, as famílias comprometeram 26,6% da renda com parcelas e juros de dívidas bancárias, o maior índice já registrado na série histórica. O saldo de empréstimos com recursos livres para pessoas físicas chegou a 2,5 trilhões de reais em julho, alta de 10% em um ano e de 107% desde o início de 2021. Especialistas apontam que a expansão do crédito e o crescimento dos neobancos e bancos digitais — cujas operações cresceram 360% de 2021 a 2025 segundo a Equifax Boa Vista — facilitaram o acesso financeiro, mas também elevaram os riscos com públicos de maior vulnerabilidade.

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 13,75% ao ano. Analistas e economistas apontam que a alta inflação, os juros elevados e a falta de ajuste fiscal por parte do governo mantêm as expectativas de inflação pressionadas e dificultam uma queda duradoura nas taxas de juros, tornando o cenário macroeconômico um desafio central para a resolução do endividamento no país.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/o-efeito-bola-de-neve-provocado-pelo-recorde-historico-de-inadimplencia-no-brasil/

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