O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou alta de 0,82% em setembro, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço representa o maior resultado para o mês desde 2021, período em que o índice subiu 1,16%. O desempenho contrasta com o resultado de agosto, quando houve deflação de 0,32%, marcando a maior queda mensal desde agosto de 2022.
No acumulado de janeiro a setembro, a inflação atingiu 3,95%. Nos últimos 12 meses, os preços subiram 4,58%, superando o índice de 4,22% registrado no período imediatamente anterior e ultrapassando o teto da meta, que é de 4,5%. Em setembro de 2025, o IPCA havia avançado 0,48%.
A meta central estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, contando com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O sistema de metas contínuas determina que o descumprimento só ocorre se a inflação permanecer fora do intervalo estipulado por seis meses consecutivos.
Grupos que impulsionaram a inflação
O avanço nos preços em setembro foi liderado pelo grupo Habitação, que apresentou alta de 2,31%, influenciado principalmente pela energia elétrica residencial. Em agosto, o mesmo grupo havia registrado queda de 1,87%.
Outros setores que impactaram o índice foram:
- Transportes: alta de 0,89%, impulsionada por passagens aéreas e combustíveis.
- Alimentação e bebidas: alta de 0,83%, encerrando uma sequência de três meses de quedas.
- Comunicação: alta de 0,64%.
- Vestuário: alta de 0,71%.
- Artigos de residência: alta de 0,27%.
- Despesas pessoais: alta de 0,26%.
- Educação: alta de 0,04%.
- Saúde e cuidados pessoais: alta de 0,08%.
Impacto da energia elétrica e dos alimentos
A conta de luz teve alta de 7,98% e representou a maior contribuição individual para o IPCA de setembro, com impacto de 0,32 ponto percentual. A alta ocorreu após o término do desconto do Bônus de Itaipu, benefício que devolve aos consumidores excedentes da operação da usina e gerou alívio nas faturas emitidas em agosto. A continuidade da bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, também pesou no orçamento, além de reajustes tarifários em cidades como Belém, São Luís e Vitória, enquanto Rio Branco e Fortaleza registraram reduções.
No grupo de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio cresceu 0,96%. O tomate liderou as altas com 37,76%, seguido por batata-inglesa (24,07%), cebola (10,14%) e arroz (4,56%). As carnes subiram 0,63%, ao passo que frango e frutas apresentaram recuo.
No setor de transportes, as passagens aéreas encareceram 9,66% e os combustíveis subiram 1,41%, com altas no etanol (3,16%), diesel (1,69%), gasolina (1,21%) e gás veicular (0,10%).
Avaliação de analistas sobre a Selic
Especialistas apontam que o resultado acima das expectativas do mercado traz um cenário mais desafiador para a economia. Joel Freitas, diretor e sócio da M7, destaca que a trajetória futura da inflação dependerá de tarifas de energia e preços no campo, em meio a riscos climáticos. Já Matheus Villela, analista da Aware Investments, pontua que a pressão sobre transportes e núcleos de inflação indica que o problema vai além de itens voláteis. Para Villela, a persistência da inflação pode fazer o Banco Central adotar maior cautela, desacelerando ou pausando o ciclo de cortes da taxa Selic.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/09/ipca-setembro.ghtml
