Uma juíza federal determinou a suspensão por 14 dias da construção do arco planejado pelo presidente Donald Trump, em uma decisão emitida menos de uma hora após a aprovação final da estrutura. A votação ocorreu na noite de quinta-feira (5), após uma longa audiência pública marcada pela forte oposição de cidadãos.
A Comissão de Planejamento da Capital Nacional (NCPC), uma das duas agências federais que supervisionam mudanças arquitetônicas e de design em Washington, aprovou a construção do monumento de 76 metros de altura durante uma reunião virtual. A decisão foi tomada por oito votos a quatro, por volta das 22h29, após mais de oito horas de depoimentos públicos de mais de 120 cidadãos e veteranos de guerra que pediram o veto ao projeto.
Logo após a votação, a juíza federal Tanya Chutkan, nomeada pelo ex-presidente Barack Obama e responsável por supervisionar uma ação judicial contra a obra, determinou que o governo Trump não poderá iniciar ou efetivar nenhuma atividade de construção nas proximidades do local previsto. O governo havia sinalizado que poderia começar as obras imediatamente.
O projeto gerou intensas críticas de opositores, que o classificaram como um projeto de vaidade e apontaram a ausência de autorização do Congresso, exigida pela Lei de Obras Comemorativas. Protestos foram realizados durante a quinta-feira. O deputado democrata Don Beyer afirmou que o monumento desrespeita os militares enterrados na região. Por sua vez, o presidente da comissão classificou o projeto como um esforço histórico.
A Casa Branca pretendia acelerar a execução da obra antes da posse de um novo Congresso controlado pelos democratas em janeiro, com o objetivo de concluir o monumento antes do término do mandato de Trump. O governo argumentou que o arco celebrará o 250º aniversário do país, o espírito americano, as Forças Armadas e a competência nacional, além de poder servir como atração turística e complexo militar para armazenar munições e drones.
Em agosto, o Serviço Nacional de Parques (NPS) divulgou uma análise reconhecendo que o monumento causaria efeitos adversos em até 42 locais históricos, impactando áreas como o Cemitério Nacional de Arlington e o Memorial de Lincoln. O governo ainda tentou encerrar a análise prevista na Seção 106 da Lei Nacional de Preservação Histórica para contornar obstáculos. Menos de meia hora após o aval da comissão, o Departamento do Interior declarou que daria continuidade ao projeto, que agora enfrenta novos reveses judiciais.
