A liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo, 4, provocou forte reação no mercado de juros futuros nesta segunda-feira, 5. Os contratos registram recuo ao longo de toda a curva, refletindo o otimismo dos investidores com o cenário eleitoral.
Por volta das 10h15, nove dos onze contratos em negociação apresentavam queda. Os papéis com vencimento em abril de 2028 caíam 6,10%, projetando juros DI de 12,69%, enquanto os contratos para janeiro de 2029 recuavam 6,28%, indo a 12,83%. As maiores baixas concentram-se nos vencimentos mais longos, com destaque para os títulos que vencem em janeiro de 2026, com queda de 6,50% e juro DI projetado de 13,17%.
Na contramão, apenas dois contratos operavam em alta pela manhã: os que vencerão em janeiro do ano seguinte subiam 0,63%, para 13,53%, e os de dezembro de 2029 avançavam 0,94%, para 13,95%.
Avaliação do mercado e cenário eleitoral
Flávio Bolsonaro avançou para o segundo turno com 47% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que obteve 45%, contrariando a maioria das pesquisas eleitorais. Para o mercado financeiro, a avaliação é de que o senador demonstra maior compromisso com o ajuste fiscal necessário para equilibrar as contas públicas e conter o crescimento da dívida.
Durante o terceiro mandato de Lula, a dívida bruta passou de 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionada por medidas fiscais voltadas a ações populistas. A gestão foi marcada por inflação decorrente do volume de dinheiro despejado na economia sem foco em produtividade e investimentos, além do impacto internacional do petróleo provocado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
Para conter os preços, o Banco Central elevou e manteve a taxa básica de juros, a Selic, em patamares contracionistas, resultando em uma retração de 0,4% no consumo das famílias no segundo trimestre do ano. Investidores também passaram a exigir um prêmio de risco maior para financiar a dívida pública.
Propostas econômicas em disputa
O mercado demonstra ceticismo quanto à disposição de Lula, que disputa o quarto mandato, em realizar ajustes fiscais, apontando declarações desencontradas de sua equipe. Enquanto o coordenador do programa petista, Sergio Gabrielli, classificou a crise fiscal como fake news, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem prometido ajustes em reuniões na Faria Lima caso Lula seja vitorioso no pleito de 25 de outubro.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro adotou um discurso de maior rigor nos gastos públicos, inspirado no presidente argentino Javier Milei, prometendo um "tesouraço" nas contas do governo. Segundo a avaliação do mercado, uma menor pressão sobre os cofres estatais permitiria aos investidores cobrar prêmios menores para financiar o governo e daria margem para o Banco Central cortar os juros com maior rapidez sem descontrolar a inflação.
