As eleições presidenciais brasileiras estão atraindo a atenção da comunidade internacional. Após a realização do primeiro turno, chefes de Estado e autoridades de diferentes nações expressaram publicamente suas preferências políticas, repartindo o suporte entre os dois concorrentes que disputam o segundo turno.
Segundo a avaliação do analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, o posicionamento dos apoiadores estrangeiros obedece a um critério ideológico definido. Durante o programa Bastidores CNN, Martins pontuou que governantes com perfil progressista e de esquerda manifestam respaldo ao presidente Lula (PT), enquanto autoridades de inclinação conservadora e de direita direcionam o apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Entre as manifestações favoráveis a Lula, destaca-se a do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. O grupo de apoiadores também inclui políticos democratas dos Estados Unidos e figuras ligadas à esquerda europeia. Do outro lado, o apoio a Flávio Bolsonaro partiu de nomes como Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e Javier Milei, da Argentina.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não formalizou nenhum apoio aos candidatos, mas fez comentários favoráveis sobre a performance de Flávio Bolsonaro no pleito inicial, classificando o resultado como uma vitória expressiva. Américo Martins ressaltou que a repercussão das declarações de Trump ocorre em função do histórico recente de relações complexas entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos.
Impacto na política externa
O direcionamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos figura como um dos elementos centrais que serão definidos pelo pleito. Caso conquiste a reeleição, Lula planeja sustentar uma diretriz de autonomia frente a Washington, o que inclui contestar a designação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por parte do governo norte-americano. Além disso, o petista sustenta a necessidade de equilibrar os laços diplomáticos entre Estados Unidos, Europa e China.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro propõe uma aproximação mais intensa com os americanos, indicando que adotaria a mesma postura adotada por Washington ao classificar grupos criminosos como terroristas. No âmbito comercial, o candidato do PL também expressou o objetivo de preservar relações favoráveis com a China, ponderando a relevância do país asiático para a economia e o comércio nacional.
