Durante um ato de campanha realizado em Belém nesta segunda-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que, durante sua gestão, ninguém irá "avacalhar" com Nossa Senhora Aparecida, identificada como a Padroeira do país. O chefe do Executivo ressaltou a importância do respeito mútuo entre as crenças. "Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religões, principalmente as religões de Matriz Africana. Ninguém é dono da verdade", declarou o presidente.
A menção à Padroeira do Brasil ocorreu após a circulação de notícias falsas sobre um suposto projeto do candidato Flávio Bolsonaro (PL) que visaria a retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto. Logo após as falas de Lula, uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará, foi entregue ao presidente, que a ergueu para o público presente.
Em entrevista concedida na noite de domingo (27) ao programa Canal Livre, da Band, Lula já havia comentado sobre o tema e mencionado a repercussão da possibilidade de remoção do título. Questionado pela jornalista Adriana Araújo se o episódio tratava-se de uma fake news, o petista respondeu que não sabia se configurava mentira. Na mesma ocasião, ele relembrou episódios passados envolvendo intolerância religiosa contra a imagem.
O caso ganhou repercussão na semana com a veiculação de conteúdos na internet associando o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a uma proposta para destituir Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional. O parlamentar desmentiu o boato em suas redes sociais na quinta-feira (24), afirmando que a informação não tem fundamento e atribuindo a autoria à chamada "milícia do PT". A equipe jurídica da campanha de Flávio avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para identificar os responsáveis pela desinformação.
As postagens que viralizaram basearam-se em um vídeo de agosto em que Flávio Bolsonaro afirmava que, ao assumir a Presidência, decretaria que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo. A declaração foi utilizada fora de contexto para sugerir um plano contra os católicos e um aceno ao eleitorado evangélico. A proposta real que inspirou a polêmica foi apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli (à época no PMDB), sob o Projeto de Lei 2.623/2007, que sugeria alterar o termo do feriado de 12 de outubro. O texto, no entanto, foi arquivado pela mesa diretora da Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2022.
