O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro intensificaram as estratégias na reta final da campanha eleitoral. Empatados em simulações de segundo turno, ambos passaram a disputar promessas de forte impacto bilionário e de difícil execução devido a restrições orçamentárias.
Em busca do quarto mandato, Lula apresentou um pacote de bondades avaliado entre mais de 200 bilhões de reais e superior a 300 bilhões de reais, conforme algumas projeções. Entre as promessas recentes estão o transporte público gratuito aos fins de semana, a extensão do programa Pé-de-Meia para universitários e o repasse de 5 000 reais via Pix a microempreendedores. Algumas dessas medidas, orçadas em quase 50 bilhões de reais, não estão previstas na proposta de Orçamento de 2027 enviada ao Congresso.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro distanciou-se do discurso de austeridade defendido por seus coordenadores econômicos junto ao mercado financeiro. O senador prometeu um reajuste superior ao de Lula para o Bolsa-Família, a ampliação do Farmácia Popular e a redução das parcelas do Minha Casa, Minha Vida. Além disso, propôs devolver via Pix parte dos gastos dos cidadãos com contas e comprometeu-se a comprar dívidas de pessoas físicas e jurídicas, inspirando-se em uma proposta do atual presidente.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) e ex-secretário da Fazenda e do Planejamento do Estado de São Paulo, criticou as posturas. Segundo ele, "os dois candidatos estão pecando pelo populismo. Passadas as eleições, ganhe quem ganhar, essas vendas de terrenos na Lua terão de ser anuladas", e acrescentou que o acirramento colocou ambos em uma "corrida ao fundo do poço, nesse aspecto fiscal, como se dinheiro desse em árvores".
O cenário de concessões e reviravoltas também alcançou pautas legislativas e sociais:
- Escala 6x1: Diante do apelo popular pela medida, Flávio Bolsonaro votou pela aprovação da iniciativa, embora avalie que o ideal seja a negociação livre entre empregados e patrões sobre a jornada de trabalho.
- Redução da maioridade penal: Contrariando a posição histórica do PT, Lula declarou apoio à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para casos de crimes hediondos.
Diante do acirramento da disputa eleitoral, a análise aponta que os candidatos deixaram de lado a responsabilidade fiscal, a coerência programática e a rigidez de consciência.
