Para conseguir governar em meio a um cenário marcado por crise institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará aprimorar a sua interlocução política. A avaliação é do cientista político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, em entrevista ao programa WW.
De acordo com o analista, o cenário político atual apresenta uma base parlamentar minoritária e um país dividido ao meio. Aragão pontuou que Lula deixou de fazer gestos de pacificação em seu discurso de vitória, o que configura um obstáculo importante diante de um Congresso avaliado como conservador e hostil.
Goveriabilidade e desafios no Congresso
O especialista alertou que o custo político para garantir a governabilidade será elevado. Entre as dificuldades previstas estão a aprovação de indicações para diretorias do Banco Central, para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para agências reguladoras, visto que o Senado contará com maioria contrária ao governo. Para o cientista político, o atual cenário assemelha-se ou até supera em complexidade a situação enfrentada por Dilma Rousseff em seu segundo mandato.
O analista destacou ainda que, apesar do apoio nas urnas, o governo inicia a gestão com metade da população contrária e índices elevados de desaprovação, além da desconfiança por parte dos agentes econômicos.
Histórico e necessidade de mudanças
Fazendo um balanço da gestão política recente de Lula, Aragão apontou que o chefe do Executivo lidou com crises variadas, terceirizou a coordenação política e precisou acionar o STF para mediar entendimentos — citando como exemplo episódios que envolveram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Diante desse contexto, o especialista reforça que o governo precisa construir pontes e adotar uma postura de diálogo, inclusive com a oposição. A missão inclui pacificar expectativas e estabelecer relações de confiança com o Judiciário, os agentes políticos e os agentes econômicos. Conforme resume Murillo de Aragão, os desafios postos para a administração federal são expressivos.
