Um levantamento divulgado recentemente aponta que mais de 3 milhões de adolescentes tomaram apenas a primeira dose do imunizante contra a dengue e ainda não completaram o esquema vacinal com a segunda etapa. O cenário é acompanhado pelo fato de que quase 4 milhões de doses enviadas a municípios de todo o Brasil continuam sem utilização.
Os dados foram apresentados por Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro na semana passada. Segundo o balanço, o total de aplicações já ultrapassou 11,8 milhões de doses, divididas entre 7,6 milhões referentes à primeira aplicação e 4,2 milhões à segunda.
De acordo com o diretor do PNI, vacinar o público adolescente apresenta desafios particulares devido à falta de percepção de risco por parte dessa faixa etária. A proteção total contra a doença é obtida exclusivamente após a administração da segunda dose, que deve ocorrer três meses depois da primeira.
Público-alvo e distribuição
Inicialmente direcionada aos municípios mais atingidos, a vacinação contra a dengue passou a ser disponibilizada em todo o país por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O público-alvo prioritário engloba crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo que apresenta maior risco de desenvolver quadros graves da enfermidade.
A eventual ampliação da campanha para faixas etárias mais velhas é apontada como um desejo, mas esbarra em exigências operacionais, orçamentárias e de segurança. Atualmente, o imunizante utilizado na rede pública é a Qdenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda. A aplicação da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan permanece suspensa desde junho, após decisão do Ministério da Saúde motivada por três casos de dengue grave registrados entre mais de 500 mil pessoas vacinadas, incluindo dois óbitos.
Impacto do calor e sazonalidade
A discussão sobre a necessidade de ampliar a imunização ocorre em meio a alertas sobre as condições climáticas. O fenômeno El Niño, iniciado no segundo semestre de 2026, tem projeção de gerar 44% dias a mais de calor extremo na comparação com um ano comum.
Como o clima quente e úmido favorece a proliferação do vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti, os registros de dengue tendem a crescer durante o verão. Por esse motivo, especialistas reforçam que o período ideal para receber o imunizante é a fase intersazonal, garantindo que o indivíduo entre na época de pico já protegido.
